OFICINA DE
NEUROEDUCAÇÃO & LIVROTERAPIA – A Amigos da Biblioteca (ABI) promoverá no próximo semestre de 2020, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, em
Palmares – PE, a oficina de Neuroeducação & Livroterapia, destinado a
profesores, estudantes e público em geral. A oficina tratará sobre dificuldades
de aprendizagem, práticas pedagógicas neuroeducacionais para o ensino &
aprendizagem, livroterapia, entre outros temas. Inscrições abertas e gratuitas
na biblioteca. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 25 de julho de 2019
TEXTOS DE CLEMENS A. F. SCHRAGE
A GRANDE FALHA NA
GRADE CURRICULAR
Falta uma matéria
essencial na grade curricular em todos os níveis de graduação: a nobre e essencial arte de mentir (inclui
distorções e omissões da verdade). Crianças e adultos precisam aprender a
mentir bem e a identificar mentiras e falsificações. Ainda não sei qual seria o
nome adequado para essa nova matéria. Faço uma sugestão no final.
Tentamos ensinar
aos nossos filhos que mentir é imoral. Mas, nós mesmos começamos a educá-los
com mentiras. Contamos a elas a estória do Papai Noel, do Natal, do Dia das
Mães etc. mas não dizemos que as datas do consumo de mercadorias. As crianças,
no entanto, aprendem a mentir rapidamente. Nenhuma vai dizer ”Professora, minha
mãe disse que a senhora é feia e gorda”.
Mentir é essencial
e inclui as malandragens de Mendel, Charles Darwin, William Thomson (Lord
Kelvin), Linus Pauling, Albert Einstein e outros cientistas brilhantes.*
Mendel, por exemplo, falsificou os resultados na reprodução das ervilhas e
criou assim a genética moderna. O Fleming não descobriu a penicilina. Na
verdade, Fleming cometeu um erro técnico e científico grave. Espirrou
acidentalmente numa placa petri com agar e não a descartou. O antibiótico
descobriu o Fleming.
Já existem
profissões especializadas em propagar mentiras: o marketing. Ali aprendemos que
existem inseticidas domésticos somente tóxicos para insetos, que não há
agrotóxicos nos alimentos, que usar o cartão de crédito de um banco dá
vantagens incríveis ao usuário etc. etc.
A mentira é
essencial na vida política. Um exemplo espetacular é o homem mais poderoso do
Planeta: Trump. Segundo o monitoramento do jornal New York Times, em 801 dias
de mandato já mentiu 9.451 vezes (até 1.4.2019).
Aqui no Brasil,
57 milhões de brasileiros votaram em Jair Bolsonaro. Acreditaram nas “fake
News” produzidas por equipes de marketing. Acreditam nos bilhões de dólares dos
filhos do Lula que são os donos da JBS. Esses milhões estão à mercê de
excelentes equipes de propaganda e não conseguem discernir entre verdade e mentira.
Acreditam em tudo que a equipe de marketing produz continuamente. Nossos filhos
precisam aprender a mentir, para assim também identificar mentiras.
Voltando à
mencionada falha na grade curricular: sugiro a introdução de matérias
revolucionárias. Por
exemplo: Sociologia. Ou Filosofia.
DEUS É FIEL: UM UPGRADE TEOLÓGICO PARA ENTENDER
O MESSIAS BOLSONARO E O BRASIL DE HOJE
Eu não sabia interpretar,
por exemplo, a luta dos pastores evangélicos junto ao STF para não criminalizar a homofobia. Eu tinha
a fantasia de que definir-se cristão implicaria em tentar amar o próximo com a
si mesmo. Errei.
Quais são as
políticas públicas de combate à pobreza para os próximos 4 anos? Ou, porque
elas não existem? Qual a relação entre a religião do Bolsonaro e o
desenvolvimento econômico e social do Brasil
Por que os 120
pastores e líderes religiosos da Câmara dos Deputados não propõem políticas
públicas de inclusão social? Afinal, representam um quarto dos eleitores
brasileiros.
Faz diferença
ser Pentecostal ou Neopentecostal?
O novo Brasil é
pentecostal e neopentecostal
Minha visão
antiquada do panorama das igrejas cristãs no Brasil e alhures
Até pouco tempo
atrás eu tinha uma visão simplória das religiões cristãs. Existiam a Igreja
Católica (e ortodoxa) e muitas igrejas evangélicas. Todas se inspirariam na
revelação divina contida na Bíblia, o Antigo e o Novo Testamento. Descobri que
estava errado.
Resumo para os agnósticos do grupo
Revelação divina no Antigo Testamento pode ser comparada aos
e-mails via browser tipo Internet Explorer: transmissão lenta com problemas
linguísticos (Aramaico, Hebraico etc.). Levou 4 mil anos.
Revelação divina no Novo Testamento: como e-mails via Chrome.
Bem mais rápido e linguagem simples. Levou só 300 anos.
Revelação divina nos cultos Pentecostais e Neopentecostais:
sistema Android usando Whatsapp. Ou seja, uma revolução gigante na rapidez e
abundância da revelação divina. Deus se manifesta diariamente em todos os
templos nos rincões mais remotos do Brasil, mas só para os pentecostais.
Para entender todo esse imbróglio precisei fazer uma revisão
do meu entendimento de Igrejas evangélicas.
O que eu já
conhecia: as principais Igrejas evangélicas
Luterana: fundada
por Martinho Lutero (Século XVI)
Presbiteriana: Fundada por João Calvino (Século XVI)
Anglicana: Fundada pelo rei da Inglaterra Henrique VIII (Século XVI)
Batista: Fundada por John Smith (Século XVII)
Metodista: Fundada por John Wesley (Século XVIII)
Presbiteriana: Fundada por João Calvino (Século XVI)
Anglicana: Fundada pelo rei da Inglaterra Henrique VIII (Século XVI)
Batista: Fundada por John Smith (Século XVII)
Metodista: Fundada por John Wesley (Século XVIII)
Testemunhas de
Jeová: uma dissidência da Igreja Adventista
Curiosidades
proféticas adventistas:
Segundo a
Bíblia, apenas 144 mil pessoas vão reinar com Jesus no Céu e o resto dos
convertidos vão morar na terra. Os outros bilhões de seres humanos não
convertidos apenas morrem e não há inferno.
Adventistas: Marcaram a volta de Cristo para 1843 e, depois, para 1844 Testemunhas de Jeová: marcaram a volta
de Cristo em 1814,1818,1825 e 1975
Adventistas: Cristo voltou de
forma invisível em 1844
Testemunhas
de Jeová: Cristo voltou de forma invisível em 1914
O que eu não
conhecia: as principais igrejas pentecostais
Assembleia de
Deus: Fundada pelos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren (1911) é a
principal expoente do pentecostalismo no Brasil.
Congregação Cristã no Brasil: Fundada por Louis Francescon (1910)
Igreja do Evangelho Quadrangular, fundada por Aimée Semple McPhersom (1950)
Congregação Cristã no Brasil: Fundada por Louis Francescon (1910)
Igreja do Evangelho Quadrangular, fundada por Aimée Semple McPhersom (1950)
O Brasil para
Cristo: Fundada por Manoel de Melo (1955)
Deus é Amor: Fundada por Davi M. Miranda (1962)
Deus é Amor: Fundada por Davi M. Miranda (1962)
Principais neopentecostais:
Igreja
Universal do Reino de Deus do Edir Macedo (1977)
Igreja
Internacional da Graça de Deus: de Romildo R. Soares (1980)
Sara Nossa Terra: Fundada por Robson Rodovalho (1980)
Sara Nossa Terra: Fundada por Robson Rodovalho (1980)
Renascer em
Cristo: Fundada por Estevan Hernandez (1986)
Igreja Mundial do Poder de Deus
Igreja Mundial do Poder de Deus
Igreja
Apostólica Renascer em Cristo
Igreja
Apostólica Fonte da Vida
Comunidade
Crist]a Paz e Vida
Igreja Batista
Nova Jerusalém,
Igreja Nacional
do Senhor Jesus Cristo (de Valnice Milhomens)
Traços comuns
entre Pentecostais e Neopentecostais: o processo da revelação divina é um
processo atual, rápido e contínuo, tipo Whatsapp.
É uma espécie
de revolução permanente. O Espirito Santo desce sobre os pastores atuais como
desceu sobre os apóstolos de Jesus durante a festa judaica de Pentecostes há
2000 anos. Ali ocorreu a GLOSSOLÁLIA. Daí a origem dos nomes de pentecostais e
neopentecostal.
O texto bíblico
é literal. Deve ser tomado ao pé da letra.
Dentre as
várias características do movimento Pentecostal e Neopentecostal, duas merecem
destaque: a primeira, mais presente nas igrejas pentecostais é a grande ênfase
que esses movimentos dão à literalidade do texto bíblico para assegurar a
fidelidade àquilo que entendem ser a vontade de Deus. A literalidade do texto
bíblico é vista como fato e não
como interpretação.
A homofobia, por exemplo, é uma obrigação religiosa e
explica porque pastores e fiéis contestam no STF a criminalização da
homossexualidade: Levítico 20:13 "Se
um homem se deitar com outro homem como quem se deita com uma mulher, ambos
praticaram um ato repugnante. Terão que ser executados, pois merecem a morte.
”
Importante
ressaltar que a solidariedade cristã ou humana se restringe aos fiéis crentes e
convertidos e não ao conjunto da sociedade.
Isso explica em
parte a ausência de pautas sociais dos deputados e do próprio Bolsonaro. As
poucas ações de assistência social têm como objetivo converter infiéis e
atender a clientela pentecostal.
O caso Crivella, prefeito do Rio e pastor da Igreja
Universal, ilustra bem a postura pentecostal em relação ao Estado laico. Há 9 acusações
contra ele:
“ No pedido
encaminhado à Justiça, a promotoria elenca nove pontos que foram investigados
durante o inquérito: a reunião no Palácio da Cidade
com 250 líderes evangélicos,
onde ofereceu ajuda a líderes de igrejas universais que tenham problemas com
IPTU em seus templos ou que queiram angariar fiéis que necessitem de cirurgias
de catarata e varizes.
Outras
acusações: eventos da igreja dentro de
escolas públicas; a realização de censo religioso
na Guarda Municipal; o censo religioso nas academias
“Rio Ar Livre”; o uso gratuito da Cidade das
Artes para o Festival de Cinema Cristão; o corte de patrocínio de
eventos religiosos de matrizes afro-brasileiras; o evento intitulado “Vigília do Resgate”
no Sambódromo; e a concessão de títulos de
utilidade pública para igrejas. (Globo 12.7.2018)
Diferenças
entre pentecostais e neopentecostais
Há uma grande
diferença entre Pentecostais e Neopentecostais. Estas últimas têm como
carro-chefe a teologia da prosperidade: ser abençoado por Deus significa ter muitas
propriedades e dinheiro, estabelecendo uma relação direta entre o beneplácito
divino e as ofertas e dízimos.
Outra característica
neopentecostal marcante são os cultos voltados para processos de cura e
libertação, em uma luta constante contra, principalmente, as religiões de
matrizes africanas, que são comandadas por demônios. Isso explica as vassouras
ungidas, fitinhas milagrosas, óleos e águas consagradas em Jerusalém que servem
como amuletos e proteção contra as forças do mal. Os próprios neopentecostais surgiram
do sincretismo entre as religiões cristãs evangélicas e religiões africanas,
como o candomblé e umbanda, curiosamente combatidas pelos fundadores. Em todas
as pentecostais há uma batalha contínua contra os demônios responsáveis por
maldições hereditárias, possessão de crentes, doenças, azar etc.
Possessão pelo demônio
Com a finalidade de
diagnosticar a possessão ou encosto pelo demônio, a Igreja Universal elencou os
sintomas mais frequentes que denunciam algum tipo de possessão demoníaca. São
eles: insônia, medo, nervosismo, constantes dores de cabeça, desmaios frequentes,
visão de vultos, audição de vozes estranhas, vontade de suicídio, vícios,
perturbações, dores não diagnosticadas pela medicina e depressão. Isso inclui
pelo menos 20% da população brasileira, uns 40 milhões possuídos pelo demônio.
Uma nova profissão para reduzir o desemprego
Teologia da prosperidade neopentecostal
A vida medíocre do cristão é um indício de falta de fé.
Então, um cristão deve ter plena fé, ser bem-sucedido, ter saúde plena física,
emocional e espiritual, além de buscar a prosperidade material.
Jeremias; 1:12: A
pobreza e a doença derivam de maldições, fracassos, vida de pecado ou
incredulidade.
A riqueza é fruto da generosidade divina dirigida para os
crentes de vida impecável e obtida através da lei espiritual da confissão
positiva e do dízimo. A prosperidade é governada por leis celestiais e é um
contrato inviolável entre Deus e a humanidade.
Deus é fiel e justo, então os crentes devem cumprir sua
parte do contrato para receberem as promessas de Deus. Estas se concretizam
através da confissão positiva, doutrina segundo a qual os crentes podem
reivindicar o que quiserem de Deus, simplesmente falando. A pessoa “confessa”
aquilo que quer ter, e assim será feito. Por exemplo: eu quero uma Mercedes
Benz 2019. Aí, recebe.
Alguns dos versículos da Bíblia que confirmam a teologia
ou evangelho da prosperidade:
«Trazei o dízimo todo à casa do tesouro, para que haja
mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz Jeová dos exércitos, se não
vos abrir eu as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção até que não
haja mais lugar para a recolherdes» (Malaquias 3:10)
18. Assim, descobri que, para o homem, o melhor e o que mais
vale a pena é comer, beber e desfrutar o resultado de todo o esforço que se faz
debaixo do sol durante os poucos dias de vida que Deus lhe dá, pois essa é a
sua recompensa.
Ranking da prosperidade
A revista Forbes criou um ranking da fortuna dos
maiores líderes religiosos do Brasil, (2013 !)
Nº
|
Pastor
|
Depósitos divinos em US$
|
Igreja
|
Pentecostal ou Neopentecostal
|
1ª
|
US$ 950 milhões
|
Neopentecostal
|
||
2ª
|
Valdemiro Santiago
|
220 milhões
|
Igreja Mundial do Poder de Deus
|
Neopentecostal. Em 2018, 8 milhões por mês
|
3ª
|
US$ 150 milhões
|
Pentecostal
|
||
4ª
|
US$ 125 milhões
|
Neopentecostal
|
||
5ª
|
US$ 65 milhões
|
Neopentecostal
|
Deus não é mesquinho
Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, tem
o patrimônio estimado em cerca de R$ 5
bilhões. É dono da TV Record, e o 1.638º bilionário mais rico do mundo.
O religioso estreou na Forbes em 2014. É proprietário de um jato bimotor particular, de modelo
Bombardier Global Express XRS, estimado em US$ 45 milhões.
Igreja
Universal: redução de franquias
Segundo o jornalista Jardim da Veja, a Igreja Universal
tem “uma regra não escrita”, imposta por Macedo, de que um templo só pode ser
aberto pela denominação caso haja certeza de que poderá arrecadar no mínimo R$
150 mil por mês. A informação agora é de que o bispo Macedo aceitou reduzir o
valor para R$ 50 mil, frente ao crescimento vultoso de igrejas como a Mundial,
de seu desafeto Waldemiro Santiago.
Resumo e conclusões sobre o
Pentecostalismo
A revelação divina é continuamente
atualizada e não se limita aos textos bíblicos.
Pobreza, desemprego e
doenças são um castigo de Deus para pecadores. Não são necessários programas
sociais do Governo.
Uma das tarefas centrais do
Governo é o combate ao demônio disfarçado como marxismo cultural. Para 20 ou 30
milhões de brasileiros “evangélicos”, Jair Messias Bolsonaro foi ungido por
Deus para salvar o País do demônio marxista.
Democracia é a repressão
das minorias pela maioria.
Há uma grande concordância
entre o pentecostalismo e o capitalismo selvagem. É o que o Bolsonaro chamou de
casamento perfeito entre ele e o Guedes.
Foto: não pagou o dízimo
As seguintes passagens bíblicas são inspiradoras para os
que desejam se converter:
Os filisteus de hoje são os “marxistas”, as pessoas do
mal que não votaram no Messias.
Clemens A. F. Schrage é consultor.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
HORTAS DO BEM COMUM E DA FELICIDADE COMUNITÁRIA
HORTAS DO BEM COMUM E DA FELICIDADE COMUNITÁRIA – O
projeto desenvolvido pelo engenheiro
ambientalista alemão que atua na área de gestão de recursos naturais e resíduos
sólidos, Thilo Smith & da
agrônoma especialista em agroecologia, Simone
Miranda, Hortas do Bem Comum e da Felicidade Comunitária de Aldeia,
possui princípios básicos: a Economia do Bem Comum é um arranjo econômico alternativo
e completo, atualmente em discussão e aprimoramento em vários países ao redor
do mundo, motivada pela percepção dos múltiplos fracassos ambientais, sociais e
econômicos do modelo econômico neoliberal vigente (segundo uma pesquisa da
Fundação Bertelsmann de julho 2010, 88% dos alemães e 90% dos austríacos
preferiam “um novo arranjo econômico”, conforme Christian Felber: Economia do
Bem Comum: o crescimento de uma alternativa democrática, 2016). Enquanto não
temos condições diretas de mudar o atual arranjo econômico no Brasil, focado na
acumulação de riquezas financeiras de investidores com atuação global, cada vez
mais acelerada e concentrada na mão de poucos (e, conforme o World
Inequality Report (WILD, 2018), o Brasil continua entre os países com a distribuição
mais injusta do PIB: Os 10% mais ricos da população possuem 55% da riqueza
nacional. Na Europa, os “top 10%” dispõem de 37% dos rendimentos nacionais,
enquanto a tendência em todas as regiões mostra a distribuição piorando desde
1980), podemos
nos inspirar começando com uma economia de bem comum ao nível local. Com base
comunitária, entre vizinhos, partindo dos nossos terrenos e quintais, para as “Hortas
do Bem Comum e da Felicidade Comunitária em Aldeia”. O sistema das hortas do
bem comum se fundamenta em oito elementos básicos e uma rede composta por cinco
grupos de colaboradores, conforme os elementos básicos seguintes: 1 - O objetivo econômico não é a comercialização dos
alimentos, mas sim a distribuição dos excedentes da produção orgânica, preferencialmente
à base de troca de serviços para o bem comum: Conhecimentos, assistência
técnica, insumos, uso comum de equipamentos, acordos para serviços, trabalho,
créditos livres de juros; . 2 - Em caso de ausência da oferta de
serviços, a venda monetária e direta se orienta nos preços atuais médios dos
produtos orgânicos no Ceasa, com a finalidade de reinvestimento na própria
horta ou em hortas comunitárias. Para tal, valem os princípios de uma
contabilidade aberta e transparente, onde o conhecimento do fluxo de caixa fica
aberto à comunidade envolvida. Eventuais retiradas serão previamente
estabelecidas entre o grupo do sistema das hortas do bem comum; 3 - Os terrenos
para o cultivo de alimentos são pequenos espaços ociosos em Aldeia, geralmente
de granjas fora de condomínios, podendo ser também hortas comunitárias em
espaços ociosos de propriedade pública. Tipicamente, uma área de cultivo pode
ter algo entre 500 a 5.000 m², apenas para apresentar aqui uma ideia de qual
tamanho estamos falando. 4 - Não queremos concorrer com produtores da
agricultura familiar, sejam orgânicos ou não. Muitas vezes, no caso de Aldeia,
são produtores convencionais, com uso de adubos químicos e agrotóxicos, vide
assentamento Pitanga. Outros, como o assentamento Chico Mendes, são produtores
orgânicos, porém comercializam os seus produtos em feiras especificas da
agroecologia e da agricultura familiar. Ambos os casos cultivam em áreas de
vários hectares, para poder sobreviver da sua atuação intensiva e exclusiva. 5
- O cultivo nas nossas hortas seguirá princípios da agroecologia e da
legislação relacionada para a produção orgânica, sem uso de fertilizantes
químicos e agrotóxicos. Procuramos uma contribuição para o reestabelecimento do
equilíbrio ecológico nos fragmentos menos impactados de Aldeia, em acelerado
processo de urbanização. O conceito da agroecologia traz uma reflexão sobre o
contexto social de forma mais ampla, aliado à ecologia aplicada à agricultura.
Procuramos resgatar e conservar sabedoria tradicional e popular de cultivo em
equilíbrio com o meio ambiente; 6 - A produção local estimula caminhos curtos,
com baixa intensidade de locomoção motorizada, e contribuindo de forma direta
às relações comunitárias; 7 - Quando o trabalho de jardineiros se faz
necessário, estes preferencialmente serão moradores da comunidade, integrados
ao sistema das Hortas do Bem Comum; 8 - A intenção política comum entre os
parceiros da rede é (1º.) se contrapor à cultura de agrotóxicos na produção de
alimentos, com a alternativa da produção agroecológica, (2º.) se contrapor ao
modelo neoliberal e o acumulo de capital, com a alternativa da economia do bem
comum e de inclusão social, (3º.) contra o fascismo e a favor da democracia
direta e participativa. A REDE – a Rede
é composta por cinco grupos de colaboradores, ou seja, o sistema das hortas do
bem comum é composto por cinco grupos de colaboradores, ou parceiros, formando
uma rede. Neste arranjo, colaboradores específicos podem se enquadrar em vários
grupos. Os hortelãos, por exemplo, podem ao mesmo tempo ser beneficiadores,
produzindo conservas da colheita, os consumidores podem ao mesmo tempo fazer
parte dos apoiadores, entre outras, tais como: 1 - Hortelãos parceiros:
Produtores, geralmente proprietários ou inquilinos de granjas fora de condomínios,
ao mesmo tempo consumidores e fornecedores diretos (sem intermediários) dos
alimentos cultivados. Os hortelãos são integrados em rede, podendo acordar
complementariedades na produção e trocar experiências; 2 - Consumidores
parceiros: Apoiam as hortas do bem comum pela troca em serviços ou compra dos
alimentos produzidos a preços de Ceasa (orgânicos), sem intermediários. São
integrados à rede para ter conhecimento da produção de todos os produtores,
podendo complementar a cesta com as variedades produzidas pelo sistema. Tem
conhecimento do fluxo de caixa, para confirmar a prática de preços justos; 3 - Cultivadores
parceiros: São jardineiros da comunidade ou com relações de trabalho na
vizinhança, com motivação e aptidão para aplicar e se aperfeiçoar em técnicas
do cultivo orgânico. Com estes conhecimentos, as vezes novos, contribuem para
práticas de cultivo orgânico em outros serviços de jardinagem em Aldeia. São
remunerados conforme praxe local, e recebem produtos da horta. Tem conhecimento
do fluxo de caixa, e participam em um percentual a definir nas eventuais
retiradas; 4 - Apoiadores parceiros: Apoiam o sistema das hortas comunitárias
com assistência técnica, divulgação, trabalho organizacional ou outros serviços
a oferecer, mas não moram necessariamente em Aldeia; 5 - Beneficiadores
parceiros: Para conservar, processar ou beneficiar a colheita. Contatos: Thilo
Schmidt, thilo.schmidt@gmx.org,
(81) 999 731 414 & Simone Miranda: meliponini@oi.com.br, (81) 997 695 236
A ECONOMIA DO BEM COMUM - A Economia do Bem Comum: o crescimento de uma alternativa
democrática (Por Christian Felber, Janeiro 2016). Segundo uma pesquisa da
Fundação Bertelsmann de julho 2010, 88% dos alemães e 90% dos austríacos
preferiam um “novo arranjo econômico”. A Economia do Bem Comum é um arranjo
econômico alternativo e completo, composto por 20 elementos básicos.
Entretanto, não se trata de posições ou reivindicações do movimento
internacional, e sim de inspirações e impulsos para discussões criativas, para
fertilizá-los com outras ideias e alternativas, e para discuti-los em processos
democráticos de base, procurando consensos sistêmicos. Podem ser inicialmente
convenções a nível comunitário e comunal, mais tarde a nível nacional ou no
âmbito da União Europeia, em quais as melhores propostas serão tratadas para
votação final. Esta cabe ao soberano democrático. Pode ser criado, assim, o
primeiro arranjo econômico realmente democrático. Aqui se apresentam os
elementos básicos da Economia do Bem Comum, em processo permanente de discussão
e aprimoramento: 1 - A Economia do Bem Comum está fundamentada nos mesmos
valores básicos e constitucionais que façam prosperar as nossas relações:
Construção de confiança, apreço, cooperação, solidariedade e compartilhamento.
Segundo entendimentos científicos atuais, o que contribui mais significativo
com a felicidade e motivação da humanidade são as relações humanas bem
sucedidas. 2 - O quadro jurídico de incentivo para a economia será transformado
da aspiração ao lucro individual e concorrência para uma aspiração ao bem comum
e à cooperação. Empresas serão recompensadas para apoio e cooperação mutua.
Concorrência continua sendo possível, mas implica em desvantagens. 3 - O
sucesso econômico não é mais medido pelos meios da economia convencional
(dinheiro, capital, lucro financeiro), e sim pelos fins (cumprimento das
necessidades, qualidade de vida, bem comum). A nível macro (economia nacional
ou internacional), o PIB como indicador de resultado será substituído pelo
Produto do Bem Comum, a nível meso (empresas), o balanço financeiro será
substituído por um balanço do bem comum, e ao nível micro (investimentos), os
créditos serão concedidos em base de uma avaliação do bem comum. 4 - O balanço
do bem comum será o balanço principal das iniciativas privadas. Quando melhores
os resultados dos balanços do bem comum de uma determinada economia, maior será
o Produto do Bem Comum. Empresas com balanços de bem comum positivos receberão
vantagens jurídicas: menores impostos, menores tarifas alfandegárias, melhores
condições de crédito, prioridade para aquisições públicas e em programas de
pesquisa etc. Assim, produtos e serviços éticos, ecológicos e regionais serão
mais baratos do que aqueles com efeitos de injustiça, poluição e de logísticas
extensas, resultando na prevalência de iniciativas privadas éticas no mercado.
5 - O balanço financeiro será um balanço meio. O lucro financeiro se torna do
fim ao meio para alcançar a finalidade da empresa: a contribuição ao bem comum.
Lucros financeiros podem ser usados para: investimentos reais (com vantagens
adicionais sociais e ecológicos), quitação de créditos, reservas limitadas,
retiradas limitadas aos colaboradores e créditos livres de juros a outras
empresas. Não podem ser usados para: Investimentos no mercado financeiro (que
deve ser eliminado), aquisição não amigável de outras empresas, remuneração a
pessoas que não trabalham na empresa e doações a partidos políticos. Em
contraparte, os lucros financeiros não serão taxados por impostos de empresas.
6 - Libertação da pressão de crescimento ou anexação: Pelo fato que o lucro é
apenas meio e não finalidade da iniciativa privada, as empresas podem alocar-se
no tamanho ótimo, sob a sua própria perspectiva. Assim, não terão preocupações
de serem compradas por empreendimentos maiores, e tampouco não precisam crescer
em tamanho, para ser maior, mais agressivo e mais lucrativo do que outras
empresas. Todas as empresas ficam livres da pressão do crescimento permanente e
da agressividade mutua. 7 - Pela possibilidade de atuar sem as preocupações
acima citadas, se terá uma grande variedade de empresas, em todas as áreas. Sem
necessidade de crescimento, o espirito de cooperação e solidariedade entre as
empresas será estimulado. Podem se apoiar mutuamente com conhecimentos,
serviços, trabalhadores e créditos sem juros. Para isso, serão recompensados
com um bom resultado do balanço do bem comum do empreendimento – não aos custos
de outras empresas, mas pelo seu favor. As empresas formam sucessivamente uma
comunidade solidaria de aprendizagem, a economia se torna um arranjo de win-win. 8 - As diferenças entre
rendimentos e patrimônio serão limitadas, por discussões e decisões
democráticas: O rendimento máximo para, por exemplo, dez salários mínimos;
patrimônio particular para, por exemplo, dez, vinte ou trinta milhões de Euro;
o direito de doações e herança para 500 mil Euros por pessoa; em caso de
empresas de propriedade familiar para, por exemplo, dez milhões de Euro por
criança. Superando estes valores, o patrimônio de herança será dividido para
todos os membros da geração sucessora sob título de “dote democrático” ou
“imposto negativo de herança”: capital inicial igual para todos significa maior
igualdade de oportunidades. Os limites e valores exatos deverão ser apurados
por uma comissão econômica democrática. 9 - Em caso de empresas grandes, o
direito de votação interna e o patrimônio passarão gradativamente, a partir de
um certo tamanho (por exemplo 250 trabalhadores), aos trabalhadores e a
comunidade. A população pode ser representada por “parlamentos econômicos
regionais”, eleitas de forma direta. O governo não deve ter acesso nem direito
de votação em empresas públicas. 10 - Isto também vale para propriedades
comunitárias e democráticas (“commons”
ou “Allmende”), a terceira categoria
de propriedades, ao lado das (pequenas) empresas particulares e das empresas
grandes mistas. Propriedades comunitárias e democráticas são empreendimentos de
economia comunitária nas áreas de educação, saúde, assistência social,
mobilidade, energia, comunicação etc. – as áreas necessárias para a vida em
sociedade. 11 - Uma propriedade comunitária e democrática importante é o Banco
Democrático. Como todos os empreendimentos servem ao bem comum e será governado
pelo soberano democrático, e não pelo governo. Seus serviços chaves são
garantir contas seguras de um sistema monetário soberano (“Vollgeld”, “sovereign money”,”monnaie
pleine”: Esta
iniciativa consiste na limitação da geração de valores monetários
exclusivamente por um banco do governo, e não, como atualmente, por bancos
particulares, no ato de conceder créditos. A “Iniciativa do sistema monetário
soberano” (Vollgeldinitiative) foi
colocada em votação pela democracia direta (plebiscito) da Suíça, em 2018,
obtendo 25% de adesão dos eleitores, mesmo sem ampla difusão do conceito pela
mídia. Nota do tradutor), um sistema de pagamento, poupanças e créditos orientados
em valores éticos, bem como a participação em bolsas regionais de valores do
bem comum. O estado financia os seus débitos primariamente através de créditos
do banco central, livres de juros. O banco central receberá o monopólio de
criação de valores monetários (“dinheiro soberano”) e gerencia operações
internacionais de capital, a fim de impedir a evasão fiscal. Os mercados
financeiros na forma atual deixam de existir. 11 - Conforme as propostas de
John Maynard Keynes, uma cooperação financeira global será estabelecida, com
uma unidade global de compensação de valor (“Globo”, “Terra”) para o comércio
econômico internacional. Em nível local, dinheiro regional pode substituir a
moeda nacional. A fim de se proteger do comércio não justo, a União Europeia
iniciará uma zona de comércio justa (“Zona do Bem Comum”), em qual valem as
mesmas regras ou a tributação alfandegária se orientará no balanço do bem comum
do produtor. Objetivo de longo prazo é uma zona global do bem comum, através de
um acordo das Nações Unidas. 12 - Ao meio ambiente, um valor próprio será
declarado, motivo por qual não pode ser transformado em propriedade particular.
Quem necessita terra para fins de moradia, produção ou agrosilvicultura pode
utilizar um terreno adequado sem custos, ou contra um taxa de utilização. A
cessão é vinculada à condicionantes ambientais e o real uso concreto. Com isso,
grilagem de terra, landgrabbing,
latifúndios e especulação imobiliária serão eliminadas. Em contrapartida, o
imposto sobre propriedade de território urbano ou rural será extinto. 13 - O
crescimento econômico deixará de ser uma finalidade, pelo contrário à redução
do impacto ecológico/ pegada ecológica de pessoas, empreendimentos e estados
para um nível globalmente sustentável. Junto aos direitos políticos, sociais,
culturais e econômicos teremos direitos humanos ecológicos. Os benefícios
anuais do planeta Terra em recursos biológicos será rateado entre toda a
humanidade e carregado a “contas ecológicas”, como direito de uso ecológico. Ao
mesmo tempo, serão direitos de proteção da Terra. Os mesmo direitos ecológicos
para todos, como princípio liberal e sustentável. 14 - A jornada geral de
trabalho será gradativamente reduzida à medida da preferência comum, a, por
exemplo, 20 a 30 horas semanais. Com isso, será liberado tempo para três outras
áreas centrais de trabalho: Assistência social (crianças, enfermos, idosos),
trabalho individual (desenvolvimento de capacidades individuais, artes, cultivo
de jardins, ócio), bem como trabalho político e comunitário. Em consequência
deste equilíbrio na organização do tempo, o estilo de vida se tornará mais
independente do consumo, autossuficiente e sustentável. 15 - Cada décimo ano de
emprego será uma ano sabático, financiado por rendimentos básicos sem
condicionantes. Neste ano, as pessoas podem fazer o que eles preferem. Esta
medida descongestiona o mercado de trabalho em dez percentuais – a taxa de
emprego média de longo prazo na União Europeia. 16 - A democracia
representativa será complementada por elementos de democracia direta e
participativa, desenvolvida para uma democracia soberana. (lat. “superanus” = “posicionado acima de
tudo”). O soberano recebe “direitos soberanos”, como, por exemplo: Formular e
alterar a constituição, eleger, retirar e corrigir um governo, iniciar e
decidir projetos de lei, controlar áreas de serviços básicos – sistema
monetário, energia, água – iniciar e colocar acordos internacionais em votação.
17 - Todos os vinte elementos básicos da economia do bem comum devem ser
amadurecidos em processos amplos e participativos de base, antes de que as
diferentes alternativas sejam enviadas para discussão por uma assembleia
econômica democrática, sua vez composta por votação direta. A assembleia tem a
incumbência de preparar e apresentar as alternativas para a votação final. As
versões finais serão sistematicamente aprovadas pelo soberano democrático. As
propostas aprovadas compõem os elementos econômicos da constituição. A
constituição pode ser alterada, a cada momento, pelo soberano. A fim de
aprofundar o sistema democrático, outras comissões podem ser convocadas:
Comissão democrática de educação, da mídia, da previdência, do próprio sistema
democrático... 18 - A fim de estimular a população desde cedo para com os
valores e práticas da economia do bem comum, também o sistema educacional deve
se orientar nos princípios do bem comum. Isto exige outras formas de educação,
com novos conteúdos, como, por exemplo, “emocionologia”, ética, comunicação,
educação democrática, sensibilização para a natureza, corpo e saúde, artes etc.
19 - Pelo motivo que na economia do bem comum o sucesso de empreendimento
ganhar outro significado do que atualmente, também serão requeridos outras
qualidades de liderança. Não serão mais procurados os gerentes mais rigorosos,
egoísticos, orientados pelo raciocínio de “indicadores econômicos”, e sim
pessoas que atuam com responsabilidade e competência social, com empatia, que
entendem decisões compartilhadas como chance e ganho, que pensam e tenham
estratégias de longo prazo. Serão os novos exemplos de liderança. A
economia do bem comum não é o melhor dos modelos econômicos e nem o fim da
história, apenas um possível próximo passo rumo ao futuro. Trata-se de um
processo participativo e aberto, buscando sinergias com propostas parecidas.
Pelo engajamento comum de uma amplo espectro de pessoas corajosas e
responsáveis, um sistema democrático fundamental inovador pode ser criado. A
implementação precisa de motivação intrínseca e responsabilidade própria,
incentivos legais, um ambiente de ordenamento político, e consciência de
soberania. Todas as pessoas, empresas, comunidades, organizações e instituições
podem participar no desenvolvimento deste modelo e são cordialmente convidados
para isso! ...Se engajam para
alternativas concretas! Se engajam para a Economia do Bem Comum!“ (Stéphane Hessel) – (Tradução: Thilo Schmidt).
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