sexta-feira, 5 de junho de 2015

A TELEVISÃO E O CONSTRUTIVISMO ESTRUTURALISTA DE PIERRE BOURDIEU


[…] A análise critica do papel da televisão é um elemento capital da luta contra a imposição da visão dominante do mundo social e do seu devir. O mais importante consiste na influência que a televisão exerce sobre a totalidade do jornalismo e através dele, sobre o conjunto da produção cultural. A lógica do comércio, simbolizada pelos índices de audiência, do sucesso comercial, da venda e do marketing, como meio específico para atingir esses fins puramente temporais, impôs-se em primeiro lugar ao campo filosófico, com os “novos filósofos”, e ao campo literário com os grandes best sellers internacionais e o que Pascale Casanova chamou de world fiction, ou seja, em especial os romances acadêmicos à David Lodge ou Umberto Eco; mas ela atingiu também o campo jurídico; com os processos sensacionalistas arbitrados pela mídia, e no próprio campo científico, com a intrusão da notoriedade jornalística na avaliação dos cientistas e das suas obras. […]

O CONSTRUTIVISMO ESTRUTURALISTA DE PIERRE BOURDIEU – O construtivismo estruturalista do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), está assentado sobre dois conceitos: habitus e campo. O habitus pode ser considerado um conjunto de disposições permanentes, resultado da internalização da estrutura social. O habitus significa um processo de adaptação das percepções, pensamentos e ações às situações objetivas nas quais acontecem. Ele estrutura as práticas e representações. É o que leva a pensar, sentir e atuar de acordo com as condições sociais em que se vive. Estas disposições tendem a durar e afetam os diferentes campos de atividade. Os atores não são atores cujas práticas sejam livremente motivadas. O habutus é constituído por umn conjunto de disposições que refletem o meio social no qual se é educado e que fazem ter determinada maneira de perceber o mundo e certas atitudes comuns. Em suas obras o autor discute temas como educação, cultura, literatura, arte, mídia, linguística e política, posicionando-se contra o liberalismo e a globalização. Inclusive, efetuou uma análise acerca dos meios de comunicação, notadamente sobre a televisão, tratando a respeito da mercantilização generalizada da cultura e demonstrando sua responsabilidade na perpetuação da ordem simbólica, comprovando que aqueles que dela participam são tão manipulados quanto manipuladores. Além disso, traz a demonstração de que a televisão exerce uma das formas mais nocivas de violência simbólica, pois, conta com a cumplicidade silenciosa dos que a recebem e dos que a praticam.

REFERÊNCIA
ÁLVARO, José Luis; GARRIDO, Alicia. Psicologia social: perspectivas psicológicas e sociológicas. São Paulo: McGraw Hill, 2006.
BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

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A PSICANÁLISE DE JACQUES LACAN


JACQUES LACAN – Jacques Lacan (1901-1981) reinterpretou quase todos os conceitos freudianos, assim como os grandes casos e acrescentou ao corpus psicanalítico sua própria conceitualidade. Era estimado como um brilhante intelectual fora dos meios psicanalíticos franceses, sofreu por não ser reconhecido pela Sociedade Psicanalítica de Paris, na qual seus trabalhos não eram levados em conta e seu anticonformismo causava irritação. Na historia do movimento psicanalítico, chama-se lacanismo a corrente representada pelos partidários de Lacan, pertencente à constelação freudiana e se distingue das outras escolas de psicoterapia pelo tratamento pela fala como lugar exclusivo do tratamento psíquico, e aos grandes conceitos freudianos fundamentais: o inconsciente, a sexualidade, a transferência, o recalque e a pulsão.

ESTÁDIO DO ESPELHO – Expressão cunhada para designar um momento psíquico e ontológico da evolução humana, situado entre os primeiros seis e dezoito meses de vida, durante o qual a criança antecipa o domínio sobre sua unidade corporal através de uma identificação com a imagem do semelhante e da percepção de sua própria imagem num espelho.

O ÉDIPO LACANIANO – Lacan centrou a questão edipiana na triangulação, levando em conta as contribuições da escola kleiniana. No âmbito de sua teoria do significante e de sua tópica (imaginário, real e simbólico), ele definiu o complexo de Édipo como uma função simbólica: o pai intervém sob a forma da lei, para privar a criança da fusão com a mãe. Segundo essa perspectiva, o mito edipiano atribui ao pai, por conseguinte, a exigência da castração: a lei primordial é aquela que,, regulando a aliança, superpõe o reino da cultura ao reino da natureza, entregue à lei do acasalamento. Essa lei, portanto, faz-se conhecer suficientemente como idêntica a uma ordem de linguagem.

NOME-DO-PAI – Termo criado por Lacan e conceito para designar o significante da função paterna. Tem sua fonte primordial e inconsciente na vida de Lacan e em sua experiência pessoal e dolorosa da paternidade. Como filho, ele teve de suportar as falhas do seu pai. Havendo-se tornado pai, Lacan não pôde dar seu nome a sua filha, que foi registrada em cartório com o sobrenome Bataille vez que a mãe era ainda esposa legítima de George Bataille. Esse imbróglio infernal do nome do pai, decorrente da legislação francesa sobre a filiação, duraria até 1964 e o mergulharia em diversas ocasiões numa culpa terrível. Ao falar sobre a família, Lacan mostrou que a psicanálise nasceu em Viena, de um sentimento de declínio da imago paterna (designação da representação inconsciente através da qual um sujeito designa a imagem que tem de seus pais, utilizada por Jung) e da vontade freudiana de revaloriza-la. Ele adotou o mesmo modelo de reformulação simbólica da paternidade, embora integrando as teses kleinianas referentes às relações arcaicas com a mãe. Inspirado em Levi-Straus, mostrou que o Édipo freudiano podia ser pensado como uma passagem da natureza para a cultura. Segundo essa perspectiva, o pai exerce uma função essencialmente simbólica: ele nomeia, dá seu nome, e através desse ato, encarna a lei. Por conseguinte, se a sociedade humana, como ele sublinha, é denominada pelo primado da linguagem, isso quer dizer que a função paterna não é outra coisa senão o exercício de uma nomeação que permite à criança adquirir sua identidade. Ele passou então a definir essa função como função do pai, depois função do pai simbólico, o que o levou a interpretar o complexo de Édipo não mais em referencia a um modelo de patriarcado ou matriarcado, mas em função de um sistema de parentesco. O conceito de Nome-do-pai está associado ao de foraclusão e mais tarde estendeu esse protótipo à própria estrutura da psicose. Foi aí que ele teorizou o vinculo existente entre o sistema educacional de um pai e o delírio de um filho. Nessa perspectiva e no âmbito da teoria lacaniana do significante, a transição edipiana da natureza para a cultura efetua-se da seguinte maneira: sendo a encarnação do significante, por chamar o filho por seu nome, o pai intervém junto a este como privador da mãe, dando origem ao ideal do eu na criança. No caso da psicose, essa estruturação não se dá. Sendo então foracluido o significante do Nome-do-pau, ele retorna no real sob a forma de um delírio contra Deus, encarnação de todas as imagens malditas da paternidade.

O GRANDE OUTRO – O outro é um termo utilizado por Lacan para designar um lugar simbólico – o significante, a lei, a linguagem, o inconsciente, ou Deus – que determina o sujeito, ora de maneira externa a ele, ora de maneira intra-subjetiva em sua relação com o desejo. Pode ser simples escrito com maiúscula, opondo-se então a um outro com letra minúscula, definido como outro imaginário ou lugar da alteridade especular. Mas pode também receber a grafia grande Outro ou grande A, opondo-se então que ao pequeno outro, quer ao pequeno a, definido como objeto (pequeno) a. A questão da alteridade – relação do homem com seu meio, com seu desejo e com o objeto, na perspectiva de uma determinação inconsciente. Mais do que os outros, entretanto, procurou mostrar o que distingue radicalmente o inconsciente freudiano – como outra cena ou como lugar terceiro que escapa à consciência – de todas as concepções de inconsciente oriundas da psicologia. Na sua noção de simbólico, surgiu uma nova concepção de alteridade, que desembocou na invenção do termo grande Outro e se separou de todas as concepções pós-freudianas da relação de objeto que estavam em vigor na época. Além das representações do eu, especulares ou imaginárias, o sujeito é determinado por uma ordem simbólica designada como lugar do Outro e perfeitamente distinta do que é do âmbito de uma relação com o outro: não existe metalinguagem, não existe determinação anterior à linguagem que possa garantia a existência de uma linguagem. Com isso, Lacan estabeleceu um vínculo entre o desejo, o sujeito, o significante e o Outro. E definiu o Outro como o lugar onde se constitui o sujeito e é representado pelo significante numa cadeia que o determina. Na loucura, a relação extasiado com o Outro só é possível mediante um auto-aniquilamento do sujeito e um surgimento da heterogeneidade radical de um Outro absoluto, na figura de um Deus apavorante. Na ampliação da sua definição da relação transferencial, o Outro tornou-se a outra cena (o inconsciente), mas compreendida como o lugar de desdobramento da fala onde o desejo do homem é o desejo do Outro.

O IMAGINÁRIO – Termo derivado do latim imago (imagem) e empregado como substantivo na filosofia e na psicologia para designar aquilo que se relaciona com a imaginação, isto é, com a faculdade de representar coisas em pensamento, independentemente da realidade. Utilizado por Lacan como correlato da expressão estádio do espelho e designa uma relação dual com a imagem do semelhante. Associado ao real e ao simbólico no âmbito de uma tópica, o imaginário se define como o lugar do eu por excelência, com seus fenômenos de ilusão, captação e engodo.

O REAL – Termo empregado como substantivo por Lacan, extraído da filosofia e do conceito freudiano de realidade psíquica, para designar uma realidade fenomênica que é imanente à representação e impossível de simbolizar. Utilizado no contexto de uma tópica, o conceito de real é inseparável dos outros dois componentes desta, o imaginário e o simbólico, e forma com eles uma estrutura. Designa a realidade própria da psicose (delírio, alucinação), na medida em que é composto de significantes foracluidos (rejeitados) do simbólico.

O SIMBÓLICO – Termo extraído da antropologia e empregado como substantivo masculino por Lacan, para designar um sistema de representação baseado na linguagem, isto é, em signos e significações que determinam o sujeito à sua revelia, permitindo-lhe referir-se a ele, consciente ou inconscientemente, ao exercer sua faculdade de simbolização. O conceito de simbólico é inseparável de imaginário e real, formando os três uma estrutura. Assim, designa tanto a ordem (ou função simbólica) a que o sujeito está ligado quanto a própria psicanálise, na medida em que ela se fundamenta na eficácia de um tratamento que se apoie na fala.

FORACLUSÃO – Conceito forjado por Lacan para designar um mecanismo especifico de psicose, através do qual se produz a rejeição de um significante fundamental para fora do universo simbólico do sujeito. Quando essa rejeição se produz, o significante é foracluido. Não é integrado no inconsciente, como no recalque, e retorna sob a forma alucinatória no real do sujeito.

SUJEITO – Termo corrente em psicologia, filosofia e lógica. É empregado para designar ora um individuo, como alguém que é simultaneamente observador dos outros e observado por eles, ora uma instancia com a qual é relacionado um predicado ou um atributo. Lacan conceituou a noção lógica e filosófica do sujeito no âmbito da sua teoria do significante, transformando o sujeito da consciência num sujeito inconsciente, da ciência e do desejo. Apoiou-se na teoria saussuriana do signo linguístico, e iniciou sua concepção da relação do sujeito com o significante: um significante é aquilo que representa um sujeito para outro significante. Esse sujeito está submetido ao processo freudiano de clivagem do eu. O significante introduzido por Saussure no quadro de sua teoria estrutural da língua, designa a parte do signo linguístico que remete à representação psíquica do som ou imagem acústica, em oposição à outra parte, ou significado, que remete ao conceito. Lacan retomou como um conceito central em seu sistema de pensamento, passando a ser o elemento significativa ou discurso (consciente ou inconsciente) que determina os atos, as palavras e o destino do sujeito, à sua revelia e à maneira de uma nomeação simbólica.

Na teoria lacaniana, o sujeito é conceituado dentro da noção lógica e filosófica e no âmbito da teoria de significante, ciência e desejo: penso onde não sou, sou onde não penso. Assim, o sujeito não nasce, se constitui. E a constituição do sujeito se dá a partir do entendimento de que o sujeito é dividido pelo recalcamento: linguagem e objeto causa do desejo. Ou seja, a divisão do sujeito é assegurada pelo recalcamento. Os efeitos produzidos no sujeito pelo inconsciente são: alienação e separação. Alienação como inscrição do sujeito na linguagem e com o mecanismo fundamental do recalcamento, sendo, portanto, fato do sujeito, do significante; a separação é a perda do objeto e esta diz respeito ao objeto: olhar e voz, que são objetos causa de desejo. A angústia surge ante a falta de objeto e quando a separação pode ocorrer no Simbólico. 
O significante é um elemento da linguagem no ser falante, permitindo romper com o imposto como ordem natural. Os significantes lacanianos são S1 e S2 que formam parte uma linguagem formalizada e recebem significações diversas. S1 é o oposto de S2: S1 é um significante que se opõe a outro significante e a todos os outros S2 do mesmo conjunto; S2 é um significante a que todos os outros se opõem. Os significantes especiais denominados S1 são aqueles que dão lugar ao sujeito no Outro, operação que se torna importante e necessária para incluir o sujeito no Outro e dar entrada no mundo do discurso. O signo é a relação entre um conceito e uma imagem acústica, sendo a combinação de ambas. A imagem acústica é a presença na mente vinculada a um conceito

OBJETO A – Introduzido por Lacan para designar o objeto desejado pelo sujeito e que se furta a ela a ponto de ser não representável, ou de se tornar um resto não simbolizável. Nessas condições, ele aparece apenas como uma falha-a-ser, ou então de forma fragmentada, através de quatro objetos parciais desligados do corpo: o seio, objeto da sucção, as fezes (material fecal) objeto da excreção, e a voz e o olhar, objetos do próprio desejo. Ele forneceu então sua concepção pessoal da relação de objeto, a meio caminho entre o freudismo clássico, o kleinismo e as teses de Winnicott. Formulou a questão do objeto em termos de falta e de perda, instaurando uma espécie de geometria variável da objetalidade, na qual intervinham três modalidades relacionais: a privação, a frustração e a castração., hierarquizadas conforme três ordens, o real, o imaginário e o simbólico. A privação foi definida como a falta real de um objeto simbólico; a frustração, como a falta imaginaria de um objeto real (uma reivindicação infindável); e a castração, como a falta simbólica de um objeto imaginário (resolução do enigma da diferença sexual: o pênis falta na mulher, mas sem por isso inferioriza-la). 
O objeto a é um conceito para nomeação da falta estrutural real do objeto e se constitui a partir das cordas do corpo que são as zonas erógenas de Freud. A noção de objeto está vinculada à noção de falta e o que falta é o objeto como causa de desejo. O objeto voz - invocante - é o portador de palavras-imperativas. O olhar está relacionado com o desejo de saber e com a particularidade de ser elemento predominante e o efeito da potência do Outro.
Os cinco objetos naturais são formados por três freudianos e dois lacanianos: oral, anal e fálico, mais os objetos escópico e vocal.

DESEJO – Lacan conceituou a ideia de desejo em psicanálise a partir da tradição filosófica, para dela fazer a expressão de uma cobiça ou apetite que tendem a se satisfazer no absoluto, isto é, fora de qualquer realização de um anseio ou de uma propensão. Segundo essa concepção, emprega-se desejo no sentido de desejo de um desejo.

GOZO – Raramente utilizado por Sigmund Freud, o termo tornou-se um conceito na obra de Lacan. Inicialmente ligado ao prazer sexual, o conceito de gozo implica a ideia de uma transgressão da lei: desafio, submissão ou escarnio. O gozo, portanto, participa da perversão, teorizada por ele como um dos componentes estruturais do funcionamento psíquico, distinto das perversões sexuais. Posteriormente, o gozo foi repensado por ele no âmbito de uma teoria da identidade sexual, expressa em formulas da sexuação que levaram a distinguir o gozo fálico do gozo feminino ou gozo dito suplementar. As fórmulas da sexuação compreendem proposições lógicas formuladas por ele para traduzir a diferença sexual e a sexualidade feminina. Ele construiu um matema de identidade sexual, no contexto da sua última reformulação lógica das ideias de matema e de nó borromeano, mediante o qual tentou superar o falicismo freudiano e estabelecer sua própria concepção de sexualidade feminina e da diferença sexual. Utilizando o quadrado lógico de Apuleio, enunciou o que denominou de formulas da sexuação: quatro proposições lógicas. As duas primeiras são proposições universais, uma afirmativa e uma negativa: Todos os homens têm falo; nenhuma mulher tem falo. As duas outras, uma é particular negativa: Todos os homens, menos um, estão submetidos à castração, só pode existir logicamente se existir um outro elemento, distinto do conjunto; no caso, o pai originário da horda primitiva que pode possuir todas as mulheres. A última formula é particular negativa: não existe nenhum X que constitua uma exceção à função falida. Na medida em que não existe, para o conjunto feminino, um equivalente do pai originário que escape à castração – o pelo-menos-um do conjunto dos homens -, todas as mulheres têm um acesso ilimitado à função fálica. Existe, portanto, uma dissimetria entre os dois sexos. Foi a partir destas duas últimas fórmulas que ele definiu as formas masculina e feminina do seu conceito de gozo.

REFERÊNCIA
JORGE, Antonio Coutinho. Fundamentos da psicanálise de Freud e Lacan: as bases conceituais. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
ROUDINESCO, Elisabeth. Jacques Lacan: esboço de uma vida, história de um sistema de pensamento. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.


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sábado, 30 de maio de 2015

PSICODRAMA & ROLE-PLAYING


ROLE-PLAYING – É uma técnica que pode ser usada para a exploração e para a expansão do eu num universo desconhecido. O conceito fundamental desta abordagem é o reconhecimento de que o homem é um role-player – ou seja, um intérprete de papéis -, de que todo o individuo é caracterizado pro certo leque de papéis que domina seu comportamento e de que toda cultura é caracterizada por certo conjunto de papéis impostos, com grau variado de sucesso, a seus membros. As técnicas são uma metodologia que capacita comparar cada um dos métodos terapêuticos sob condição de controle.
Role-player (em alemão Rollenspieler), significa a interpretação de papéis e é a adoção de um papel acabado, plenamente estabelecido, que não permite ao individuo nenhuma variação, qualquer grau de liberdade, o que permite ao individuo um certo grau de liberdade. Um papel é composto de duas partes: o seu denominador coletivo e o seu diferencial individual.
As primeiras experiências com as técnicas de role-playing aconteceram durante os testes feitos com terapeutas auxiliares colocados no contexto de situações padrão, num psicodrama experimental.
Nas situações terapêuticas pode-se concentrar primeiramente no estudo dos quatro fatores, demonstrando a importância crucial em todos os relacionamentos paciente-terapeuta: sentimentos um em relação ao outro, percepção um do outro, eventos motrizes, a interação entre eles e as relações de papéis, que emergem de um para o outro numa situação terapêutica em andamento. Como terapia de papéis objetiva melhorar as relações entre membros de determinado grupo. Cada membro pode assumir novo papel e esta situação influencia com frequência os resultados do próximo teste sociometrico, modificando a posição do individuo que, de outro modo, continuaria isolado e desajustado. Assim o role-playing torna-se treinamento e terapia de papéis.
O teste de espontaneidade é o segundo teste que satisfaz as exigências para o role-playing, uma vez que coloca o individuo em situação-padrão de vida que requer relações emocionais fundamentais e definidas, chamadas de estados de espontaneidade, tais como o medo, a raiva, entre outros. Se houver possibilidade de expansão, o próximo passo é o role-playing. Quando um instrutor de espontaneidade reconhece que o aluno ou paciente tem carência em certos estados, por exemplo, coragem, alegria, entre outros, coloca-o numa situação específica em que estes estados são inadequados ou aconselháveis. O aluno ou paciente representa esta situação, teatraliza de improviso o estado. Se é coragem que lhe falta, ele representa coragem até que aprenda a ser corajoso.

INFÂNCIA – Em vez de considerar a criança do ponto de vista dos organismos inferiores, tentando interpretá-la como um pequeno animal, em termos de psicologia animal, e em vez de tentar interpretá-lo como um pequeno neurótico ou pequeno selvagem, pelo ângulo neurótico, é pertinente encarar sistematicamente o bebê humano desde a plataforma dos mais elevados exemplos concretos de expressão e realização humana – referindo-se aqui ao gênio da raça -, interpretando-o como um gênio em potencial. Pressupõe-se aqui que, nos gênios da raça, certas capacidades e aptidões básicas latentes, comuns a todos os homens, encontram sua mais dramática expressão. Sua natural e continua espontaneidade e criatividade, não só em raros momentos mas como uma expressão cotidiana, fornece indícios para compreender a criança que não podem ser desprezados.
Uma criança de 2 a 3 anos de idade talvez não entenda quando um dos pais lhe diz algo que não deveria fazer. Para a criança certas coisas ditas não têm sentido e permanecem sem causar impressão. Tem-se, com isso, que se lembrar que a criança tem sua memoria no ato e não na memória, o rápido esquecimento de acidentes é uma condição natural, mas pode-se ensiná-la no ato.
Por um acidente da natureza, parece que o bebê humano nasce nove meses depois da concepção. Poderia nascer muitos meses depois e o recém-nascido poderia vir ao mundo quase preparado para cuidar de si mesmo, à semelhança de alguns recém-nascidos entre outros vertebrados. Por conseguinte, a soma de ajuda de que necessita para sobreviver tem de ser muito maior e mais prolongada que no caso de qualquer outro da classe primata.
A criança jamais deixa de lado suas expectativas de tornar-se o centro e o ditador do mundo. Poderá tornar-se mais humilde à medida que for envelhecendo e aprender que o universo tem uma teimosa estrutura particular., que lhe é impossível de penetrar e de conquistar contando apenas com métodos mágicos. A criança fará qualquer jogo – o jogo do método científico ou qualquer melhoria futura do mesmo – se isto ajuda-lo circunstancialmente a conseguir a realização de sua intensão profunda de permanecer para sempre em contato com a existência, de ser toda-poderosa, imortal e de, pelo menos, ex post facto, verificar no fim dos tempos as palavras do Gênese: “No começo era Deus, criador do mundo”, invertendo o vetor da flecha do passado para o futuro, do Deus fora de si para o homem em seu interior.
Toda criança tem uma droga miraculosa a seu dispor, prescrita para ela pela própria natureza, Megalomania Normalis. Repita-se a dose.
As crianças usam intuitivamente e quando é empregado consciente e sistematicamente para o propósito de treinamento, chama-se role-playing que se define como personificar outras formas de existência por meio do jogo. É uma forma especializada de jogo. Foi a técnica fundamental do Teatro da Espontaneidade vienense, devido ao papel predominante que a espontaneidade e a criatividade. É um provável método por excelência para encontrar e, se possível, solucionar aquela situação que desafia a criança. Os pais desempenhando o papel de um cão ou de um gato, leva as crianças a entender esses animais, conversar com eles, incorporá-los. O desempenho de um papel é a personificação de uma forma, de uma existência estranha através da brincadeira, é uma forma especial de brincar.
Depois de finda a fase do role-playing dos pais e de outros adultos na casa, e de haver adquirido habilidade considerável, introduz-se outro método particularmente recompensador – a técnica da inversão de papel. Se uma pessoa faz o papel de um médico, de um policial ou de um vendedor, a parte do pai ou da mãe, a fim de aprender de que modo funcionar dentro de tais papéis, tal técnica chama-se de role-playing. Mas se o pai ou mãe trocar de papeis, o pai sendo o filho e o filho o pai, trata-se de uma inversão de papéis.
Grupos de crianças separam-se dos grupos de adultos a partir dos 6 ou 7 anos de idade – é uma divisão social. Essa é a fase que coincide com o inicio da fase escolar.
A imaginação do homem não deixará de lado a eterna criança que existe nele, descobrindo novos modos de preencher o universo com seres fantásticos, mesmo que precise criá-los. A eterna criança no homem não fugirá de sua força imaginativa.

SOCIODRAMA – O sociodrama está introduzindo uma nova abordagem dos problemas antropológicos e culturais, métodos de ação profunda e de verificação experimental. O conceito subjacente nesta abordagem é o reconhecimento de que o homem é um intérprete de papéis que dominam o seu comportamento e que toda e qualquer cultura é caracterizada por um certo conjunto de papéis que ela impõe com variável grau de êxito, aos seus membros.
O vocábulo sociodrama tem duas raízes: socius que significa sócio, o outro individuo, e drama, que significa ação. Sociodrama é a ação em beneficio de outro individuo, de outra pessoa. O verdadeiro sujeito do sociodrama é o grupo. Não está limitado por um numero especial de indivíduos, pode consistir em tantas pessoas quantos os seres humanos que vivem em qualquer lugar ou, pelo menos, quantos pertençam à mesma cultura.
A diferença entre psicodrama e sociodrama deve ser ampliada a todo tipo de psicoterapia de grupo. Também deveria ser feita uma diferença entre o tipo individual de psicoterapia de grupo e o tipo coletivo de psicoterapia de grupo. O tipo individual é centrado no individuo. Focaliza a sua atenão em cada individuo na situação, nos indivíduos que compõem o grupo e não no grupo em geral. O tipo coletivo de terapia de grupo está centado neste. Focaliza a situação nos denominadores coletivos e não está interessado nas diferrenças individuais ou problemas privados que eles apresentam.
Trabalhadores sociodramáticos tem a tarefa de organizar encontros preventivos, didáticos e de reconstrução na comunidade. O agente de ação ingressa no grupo acompanhado por equipe de egos-auxiliares, se necessário, com a mesma determinação, audácia ou violência de um líder nazista ou sindical. O encontro pode transformar-se em ação tão chocante e entusiástica quanto aquelas de natureza politica, com a diferença de que os políticos tentam submeter as massas a seus esquemas, enquanto o sociodramatista conduzi-las ao máximo de realização, expressão e análise de grupos.

O TREINAMENTO DE PAPÉIS – É um método utilizado pelo teatro da espontaneidade de Viena, nbo qual a espontaneidade e a criatividade tomam uma posição importante. Também é denominado de treinamento de papéis espontâneo-criativo que consiste em colocar os indivíduos (atores) em diversas situações, em papéis estranhos a eles mesmos e às suas vidas.  O jogo de papéis pode ser utilizado como método para pesquisar mundos desconhecidos ou para a expansão do eu.

REFERÊNCIAS
CUKIER, Rosa. Palavras de Jacob Levy Moreno: vocabulário de citações do psicodrama, da psicoterapia de grupo, do sociodrama e da sociometria. São Paulo: Ágora. 2002.
FLEURY, Heloisa; KHOURI, Georges; HUG, Edward. Psicodrama e Neurociência: contribuição para a mudança terapêutica. São Paulo: Ágora, 2008.
GERSHONI, Jacob (Org.). Psicodrama no século 21: aplicações clínicas e educacionais. São Paulo: Ágora, 2008.
GONÇALVES, Camila (Org.). Psicodrama com crianças: uma psicoterapia possível. São Paulo: Ágora, 1988.
KNOBEL, Anna Maria. Moreno em ato: a construção do psicodrama a partir das práticas. São Paulo: Ágora,2004.
MORENO, Jacob Levy. O teatro da espontaneidade. São Paulo: Summus, 1984.
______. Psicodrama. São Paulo: Cultrix, 1978.
PAÏN, S.; JARREAU, G. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
RICOTTA, Luisa Cristina. Cadernos de psicodrama: edição e desenvolvimento. São Paulo: Ágora, 1991.


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segunda-feira, 25 de maio de 2015

PSICOPATOLOGIA & ALTERAÇÕES DE AFETIVIDADE


AFETIVIDADE – Segundo Dalgalarrondo (2008), a vida afetiva é a dimensão psíquica que dá cor, brilho e calor a todas as vivencias humanas. Sem afetividade, a vida mental torna-se vazia e sem sabor.
Já segundo Paim (1993) é a capacidade de experimentar sentimentos e emoções. É o estado de animo ou humor como disposição afetiva fundamental, rica em todas as instancias emocionais e vitais, que dá a cada um dos estados de animo uma tonalidade entre dois polos, um patético e outro apático.
Distinguem-se cinco tipos básicos de vivências afetivas: humor ou estado de animo, emoções, sentimentos, afetos e paixões.

HUMOR OU ESTADO DE ÂNIMO – O humor, para Paim (1993), consiste na soma total dos sentimentos presentes na consciência em dado momento. O estado afetivo fundamentais do individuo (alegria, bem-estar, jubilo, felicidade, inquietação, angustia, tristeza, desespero) depende inteiramente das circunstancias pessoas da vida, dos desejos, inclinações e especialmente do estado de sua saúde física.

EMOÇÕES – Para Dalgalarrondo (2008), as emoções podem ser definidas como reações afetivas agudas, momentâneas, desencadeadas por estímulos significativos. Assim, a emoção é um estado afetivo intenso, de curta duração, originado geralmente como a reação do individuo a certas excitações internas ou externas, conscientes ou inconscientes.
Assinala Paim (1993) que a emoção é um estado afetivo intenso e complexo, proveniente de uma reação ao mesmo tempo psíquica e orgânica do individuo inteiro contra certas excitações internas ou externas.

SENTIMENTOS – Os sentimentos, segundo Dalgalarrondo (2008), estão comumente associados a conteúdos intelectuais, valores, representações e, em geral, não implicam concomitantes somáticos. Constituem fenômeno muito mais mental que somático.
Para Paim (1993) o sentimento é um estado afetivo atenuado, estável, duradouro e organizado com maior riqueza e complexidade do que os elementos representativos.
Os sentimentos da esfera da tristeza são melancolia, saudade, tristeza, nostalgia, vergonha, impotência, aflição, culpa, remorso, autodepreciação, autopiedade, sentimento de inferioridade, infelicidade, tédio, esperança, entre outros.
Os sentimentos da esfera da alegria são euforia, jubilo, contentamento, satisfação, confiança, gratificação, esperança, expectativa, entre outros.
Sentimentos da esfera da agressividade são raiva, revolta, rancor, ciúme, ódio, ira, inveja, vingança, repúdio, nojo, desprezo, etc.
Os sentimentos relacionados à atração pelo outro são amor, atração, tesão, estima, carinho, etre outros.
Os sentimentos associados ao perigo são temor, receio, desamparo, abandono, rejeição, etc.
Os sentimentos do tipo narcísico são vaidade, orgulho, arrogância, onipotência, superioridade, empáfia, prepotência, etc.

AFETOS – Para Dalgalarrondo (2008), define-se afeto como a qualidade e o tônus emocional que acompanha uma ideia ou representação mental. Os afetos acoplam-se a ideias, anexando a elas um colorido afetivo. Seriam o componente emocional de uma ideia.

PAIXÕES – A paixão, segundo Dalgalarrondo (2008), é um estado afetivo extremamente intenso, que domina a atividade psíquica como um todo, captando e dirigindo a atenção e o interesse do individuo em uma só direção. A paixão intensa impede o exercício de uma logica imparcial.

ALTERAÇÕES DA AFETIVIDADE – Para Paim (1993) as alterações da afetividade são hipertimia, hipotimia, apatia ou indiferença afetiva, sentimento de falta de sentimento, sentimento de insuficiência, sentimentos sem objeto, sentimentos inadequados, qualidades novas dos sentimentos, pânico, sentimentos de presença, irritabilidade patológica, tenacidade afetiva, instabilidade afetiva, incontinência emocional, sugestibilidade patológica, puerilismo, moria, angustia, ambivalência afetiva e fobias.

HIPERTIMIA – Para Paim (1993) a hipertimia ou estado de animo morbidamente elevado, distinguem-se a euforia e a exaltação afetiva patológica. A euforia simples traduz por um estado de completa satisfação e felicidade na qual vefiicam-se elevação do estado de animo, aceleração do curso do pensamento, loquacidade, vivacidade da mímica facial, aumento da gesticulação, riso fácil e logorreia. A euforia simples é observada nos indivíduos predispostos constitucionalmente e, em sua forma pura, na fase maníaca, nos estados hipomaníacos, na embriaguez alcoolica, na demência senil.
Na exaltação patologia há não só euforia como também aumento da convicção do próprio valor e das aspirações. Vai acompanhada de aceleração do curso do pensamento que pode chegar à fuga de ideias, desviabilidade da atenção e certa facilidade para passar rapidamente do pensamento à ação. A instabilidade afetiva desses enfermos se traduz pelça extrema facilidade com que eles passam da euforia à tristeza ou à cólera. O estado de animo é o da distimia expansiva. Nos estados de exaltação patologia os enfermos dão a impressão de mais jovens, há aumento do turgor vitalis, manifestação de apetite voraz e de excitação sexual, insônia, grande facilidade dos movimentos expressivos e tendência irresistível à ação.

HIPOTIMIA – Na hipotimia ou depressão patológica, segundo Paim (1993), verifica-se o aumento da reatividade para os sentimentos desagradáveis, podendo variar desde o simples mal-estar até o estupor melancólico. Caracteriza-se essencialmente por uma tristeza profunda e imotivada, que se acompanha de lentidão e inibição de todos os processos psíquicos.

APATIA OU INDIFERENÇA AFETIVA – Segundo Paim (1993) a afetividade está completamente abolida, não se observando nunca em nenhum transtorno psicótico. Entretanto, a diminuição dos moveis afetivos é um sintoma constante em varias enfermidades mentais. Observações revelaram que nesta enfermidade não existe embotamento afetivo, ao contrario, as alterações são devidas aqui a um transtorno da coordenação entre sentimentos e pensamento. É uma alteração qualitativa dos processos afetivos tornando os sentimentos dos esquizofrênicos inadequados e inteiramente incompreensíveis para as pessoas normais. Indiferença afetiva e uma completa ausência de sensibilidade moral são observadas em certas personalidades anormais, especialmente naqueles indivíduos identificados como insensíveis.

SENTIMENTO DE FALTA DE SENTIMENTO – Anota Paim (1993) tratar-se da situação em que os enfermos se queixam de que não experimentam sentimentos de espécie alguma, de que não sentem animo para participar de festas ou de qualquer tipo de distração.

SENTIMENTO DE INSUFICIENCIA – Nesses casos, Paim (1993) aborda que os enfermos deprimidos manifestação alterações dos sentimentos no sentido de uma espécie de sentimento de insuficiência, que os incapacita para a pratica de qualquer ação. Trata-se de uma incapacidade real, motivada pelo transtorno primário da afetividade.

SENTIMENTOS SEM OBJETO - Paim (1993) afirma que ocasionam profundo sentimentos aos pacientes, notadamente nas depressões endógenas nas quais pode-se verificar uma espécie de angustia indeterminada, que não se encontra ligada a nenhum fator real, denominada de angustia flutuante.

SENTIMENTOS INADEQUADOS – são acontecimento que, segundo Paim (1993), normalmente produzem reação intensa em indivíduos sãos, podendo ocasionar uma reação paradoxal. Os fatos podem ser acompanhados da mais completa indiferença ou de fatos banais que provocam intensas reações afetivas. É a inadequação dos sentimentos denominada de dissociação afetiva, admitindo-se se tratar de um sintoma primário da esquizofrenia.

QUALIDADES NOVAS DOS SENTIMENTOS – Anota Paim (1993) que o enfermo revela sentimentos e estados de animo qualitativamente novos, na maioria das vezes indefinidos e incompreensíveis. Os pacientes fazem referencias a sentimentos de pavor, de desespero, de solidão, de desprezo social ou sentimentos de beatitude e de iluminação divina.

PÂNICO - Dalgalarrondo (2008) define como medo intenso, de pavor relacionada geralmente ao perigo imaginário de morte iminente, descontrole ou desintegração. O pânico se manifesta sempre como crise de pânico. Estas são crises agudas e intensas de ansiedade, acompanhadas por medo intenso de morrer ou de perder o controle e de acentuada descarga autonômica (taquicardia, sudorese, etc.).
Segundo Paim (1993) consiste numa vivência de extraordinária repercussão psiquica tão intensa em certos casos que se tem tentado denomina-la de reação neurótica de pânico.

SENTIMENTOS DE PRESENÇA – Para Paim (1993) o enfermo tem a certeza imediata de que alguém está ao seu lado, atrás dele, sente a presença de alguém que nunca é visto, porém está certo de que está próximo ou se afasta.

IRRITABILIDADE PATOLOGICA – Anota Paim (1993) que é a predisposição especial ao desgosto, à ira e ao furor, nos quais os enfermos manifestam impaciência, irritabilidade, aumento da capacidade de reação para determinados estímulos e intolerância pelos ruídos. Nas personalidades anormais explosivas, o sintoma principal é a irritabilidade patológica.

TENACIDADE AFETIVA – Para Paim (1993), consiste na persistência anormal de certos estados afetivos, como ressentimento, o ódio e o rancor.

INSTABILIDADE AFETIVA – Entende Paim (1993) que é o estado especial em que se produz a mudança rápida e imotivada do humor, sempre acompanhada de extraordinária intensidade da reação afetiva, que se processa com duração muito limitada.

INCONTINÊNCIA EMOCIONAL - Paim (1993) assinala que é uma forma de alteração da afetividade que se manifesta pela facilidade com que se produzem as reações afetivas, acompanhadas de certo grau de incapacidade para inibi-las.

SUGESTIBILIDADE PATOLOGICA – Anota Paim (1993) que se trata de uma alteração da ordem tanto afetiva quanto volitiva, sendo uma predisposição psíquica especial que determina uma receptividade e uma submissão muito fáceis às influencias estranhas exercidas sobre o individuo.

PUERILISMO - Paim (1993) indica que é o temo empregado para designar as alterações mentais caracterizadas pela regressão da personalidade adulta ao nível de comportamento infantil. Em consequência, o enfermo adota inconscientemente as atitudes, linguagem e o estado de animo de uma criança.

MORIA – É o estado que, segundo Paim (1993), é dado com excitação alegre associado a certo puerilismo mental. Nesses casos os enfermos fazem bufonarias, caretas, não permanecem quietos um só instante, o humor é altamente instável, tornam-se cada vez mais exuberantes, loquazes, riem às gargalhadas.

ANGÚSTIA – Para Paim (1993) é o sentimento frequente e torturante, sem objeto, quando os processos do conhecimento que a precedem são frequentemente muito mais vagos e indiferenciados, características que correspondem a estratos psiquicos mais primitivos.

AMBIVALENCIA AFETIVA – Anota Paim (1993) que é a fala do amor e temor ou ódio que uma pessoa pode ter em relação a outra, dos acontecimentos que se tem e são desejados, como uma operação, a tomada de posse de um cargo.

FOBIAS – Para Paim (1993) é um temor insensato, obsessivo e angustiante que certos doentes sentem em determinadas situações e consiste no temor patológico que escapa à razão e resiste a qualquer espécie de objeção. É o temor obsessivo aos espaços abertos (agorafobia), ou fechados (claustrofobia), aos contatos humanos ou com animais (cães, ratos), temor de atravessar ruas, de subir ou descer elevadores, de lugares altos, etc.

CATATIMIA – Para Dalgalarrondo (2008) é a importante influencia que a vida afetiva, o estado de humor, as emoções, os sentimentos e as paixões exercem sobre as demais funções psíquicas.

REFERÊNCIAS
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008.
PAIM, Isaías. Curso de psicopatologia. São Paulo: EPU, 1993.


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sexta-feira, 22 de maio de 2015

A APRENDIZAGEM OBSERVACIONAL DE ALBERT BANDURA


ALBERT BANDURA – Albert Bandura nasceu em 1925, na província de Alberta, Canadá. Muito jovem foi trabalhar com construções no deserto, tapando buracos numa rodovia, resultando essa experiência como fascinante. Frequentou a universidade e fez o curso de psicologia por conveniência, obtendo o seu Ph. D, em 1952. Entre seus livros mais importantes cabe citar: Principles of Behavior Modification (1969); Aggression: A Social Learning Analysis (1973); Social Leaning Theory (1977); Thought and Action (1985) y Self-Efficacy: The Exercise of Control (1997).

APRENDIZAGEM – A abordagem de Bandura é uma teoria de aprendizagem social, que investiga o comportamento como adquirido e modificado num contexto social.
A aprendizagem observacional indica a importante no processo da observação do comportamento de outras pessoas, considerando aprender através de reforço vicariante, ou seja, observando-se o comportamento de outras e as consequências dele. Esse enfoque na aprendizagem se dá por meio de observação ou exemplos. Trata-se, portanto, do aprendizado de novas respostas por meio de observação do comportamento de outras pessoas. Outra característica é o tratamento de processos cognitivos internos ou de pensamento, considerando que se aprende, mediante exemplos e reforços vicariantes, pela capacidade de antecipar e estimar as consequências dos comportamentos observados. Enfatiza a observação dos outros como um meio de aprendizagem, a qual considera ser mediada por processos cognitivos.
O reforço vicariante é o aprendizado ou fortalecimento de um comportamento por meio da observação do comportamento de outras pessoas e das consequências de tal comportamento, em vez de experimentação direta do reforço ou das consequências.
A aprendizagem ativa é aprender, fazendo e experimentando as conseqüências da ação.
A aprendizagem indireta é aprender, observando os outros.
A aprendizagem por observação se dá por intermédio de reforço indireto: recompensa ou punição de outrem, pela expectativa de ser reforçado pelo domínio e pela identificação com o modelo admirado ou de status elevado. Os processos componentes que estão por trás do aprendizado pela observação são: a atenção, incluindo os eventos apresentados (clareza, valência afetiva, complexidade, freqüência, valor funcional) e as características do observador (capacidades sensoriais, nível de atenção despertada, conjunto de percepção, reforço anterior); a retenção, incluindo codificação simbólica, organização cognitiva, ensaio simbólico, ensaio motor); a reprodução motora, incluindo capacidades físicas, auto-observação da reprodução, exatidão do retorno; a motivação, incluindo reforço externo, indireto e próprio controle dos próprios reforçadores).

MODELAGEM – é a base da aprendizagem de observação, entendendo que a maior parte dos comportamentos humanos é aprendida por meio de exemplos, seja intencional ou acidentalmente. Aprende-se a observar as outras pessoas modelando o comportamento pelo delas. A modelagem é a observação do comportamento de um modelo e repetido, adquirindo respostas que nunca se desempenhou ou apresentou anteriormente, e reforçar ou enfraquecer as existentes. É a demonstração de modelagem que utiliza um boneco joão-bobo plástico e inflável que mede um pouco mais de um metro de altura. Trata-se, portanto, de uma técnica da modificação de comportamento que envolve observar o comportamento de outros chamados modelos e com eles tomar parte no desempenho do comportamento desejado. Ela é influenciada por características: dos modelos, dos observadores e as consequências recompensadoras associadas aos comportamentos.
As características dos modelos influenciam as tendências a imitá-los. Essa imitação é afetada pela idade e pelo sexo. Outro fator importante é o status. É na extensão da imitação que o modelo influencia. Os comportamentos altamente complexos não são imitados tão pronta ou imediatamente quanto os mais simples. Os comportamentos hostis e agressivos tendem a ser imitados com mais vigor, especialmente por crianças: as crianças tendem a imitar o comportamento de um modelo adulto do mesmo sexo, que consideram ter um status superior.
As características dos observadores: os atributos dos observadores determinam a eficácia da aprendizagem de observação. As pessoas com autoconfiança e autoestima baixas são mais propensas a imitar o comportamento de um modelo do que aquelas com autoconfiança e autoestima altas.
As consequências recompensadoras associadas aos comportamentos: influenciam a extensão da modelagem e até mesmo anular o impacto das características dos modelos e dos observadores. Um modelo de elevado status pode levar a imitação de um determinado comportamento, mas, se as recompensas não tiverem significado, interrompe-se o comportamento e será menos propenso a influencia por aquele modelo no futuro.
Enfim, a modelagem é a mudança no comportamento, pensamento, ou emoções que ocorrem por meio da observação de uma outra pessoa - um modelo.

DESINIBIÇÃO – Trata-se do modelo que influencia na supressão ou inibição de comportamentos. É o enfraquecimento de inibições ou constrangimento por meio da observação do comportamento de um modelo, que influencia, inclusive, o comportamento sexual. .

OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM DE OBSERVAÇÃO – A aprendizagem de observação é governada por quatro mecanismos relacionados entre si: processos de atenção, de retenção, de produção e motivacionais e de incentivos.
Os processos de atenção variam em função das habilidades cognitivas e de percepção dos observadores e do valor do comportamento que está sendo modelado. Não haverá aprendizagem de observação ou modelagem a não aser que o individuo esteja atento ao modelo. A simples exposição do individuo ao modelo não garante que ele estará atento às pistas e aos estímulos relevantes ou mesmo que perceberá a situação acuradamente. O individuo tem de perceber o modelo com precisão para adquirir a informação necessária para imitar o comportamento do modelo. Esses processos desenvolvem a cognição e a habilidade de percepção de tal força que se possa prestar atenção suficiente a um modelo e percebê-lo com a precisão necessária para imitar o comportamento apresentado.
Os processos de retenção guaram ou lembram do comportamento do modelo de modo que se possa imita-lo ou repeti-lo mais adiante; para isso, usa-se os processos cognitivos para codificar ou formar imagens mentais e descrições verbais do comportamento do modelo.
Os processos de produção transpõem as representações simbólicas das imagens mentais ou verbais do comportamento do modelo para o próprio comportamento observável, produzindo corporal ou fisicamente as respostas e recebendo feedbacks sobre a precisão da pratica continuada.
Os processos motivacionais e de incentivo percebem que o comportamento do modelo leva a uma recompensa e assim esperar que a aprendizagem e desempenho bem-sucedido do mesmo comportamento levará a consequências semelhantes.

AUTORREFORÇO – É a administração de recompensas ou punições a si mesmo por satisfazer, superar ou frustrar as próprias expectativas ou padrões. Estabelece padrões pessoais de comportamento e realizações.

AUTOEFICÁCIA – É o sentimento de adequação, eficácia e competência para se lidar com a vida. As experiências vicariantes, ou seja, ver outras pessoas apresentarem bom desempenho, fortalecem a autoeficácia, particularmente se as pessoas que observa-se são semelhantes em capacidade. Algumas condições aumentam a auoeficácia: expor as pessoas a experiências bem-sucedidas estabelecendo objetivos alcançáveis aumenta o desempenho satisfatório; expor as pessoas aos modelos adequados que são bem-sucedidos realça as experiências vicariantes de sucesso; oferecer persuasão verbal incentiva as pessoas a acreditar que possuem habilidade para um desempenho satisfatório; fortalecer a estimulação fisiológica por meio de dieta apropriada, redução de estresse e programas de exercícios aumenta a força, a resistência e a capacidade de lidar com as situações. Assim, a auto-eficácia é o senso de uma pessoa de ser capaz de lidar efetivamente com uma tarefa particular

ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DE MODELAGEM E AUTOEFICÁCIA – Na infância a modelagem limita-se a imitação direta.
Na adolescência as experiências de transição implicam lidar com novas demandas e pressões, desde um maior interesse sexual até a escolha da faculdade ou seguir uma carreira. Os adolescentes precisam estabelecer novas competências e avaliações para suas habilidades.
A vida adulta é dividida em dois períodos: adulta jovem e meia-idade. A adulta jovem compreende adaptações como casamento, paternidade e ascensão profissional, sendo necessária elevada autoeficácia para que as experiências apresentem resultados positivos. Os anos da meia-idade são estressantes,por reavaliação de carreira e de vida familiar e social. Ao se defrontar com as limitações, ocorrem redefinições de objetivos e reavaliação das aptidões para encontrar novas oportunidades para melhor a autoeficácia.
As reavaliações na velhice são difíceis, o declínio das capacidades mental e física, a aposentadoria e o afastamento da vida social podem exigir autoavaliação.

MODIFICAÇÕES DO COMPORTAMENTO – Concentra-se em aspectos externos, nos comportamentos inadequados ou destrutivos, é o comportamento ou o sintoma o alvo da abordagem da aprendizagem social.
Se a modelagem é a forma como originariamente aprende-se os comportamentos, deve ser um modo eficaz de reaprender ou modificar o comportamento.
Uma técnica denominada participação guiada implica assistir a um modelo vivo e depois participar com ele.
Na modelação encoberta as pessoas são instruídas a imaginar um modelo lidando com uma situação temida ou ameaçadora; elas não veem, realmente, um modelo. A modelação encoberta vem sendo utilizada para tratar fobias de cobras e inibições sociais.
Vários comportamentos podem ser modificados por meio da abordagem de modelagem. Existem dois exemplos: medo de tratamento médico e ansiedade frente a testes. Algumas pessoas têm tanto medo de situações medicas que são impedidas de buscar tratamento. Utilizam-se procedimentos para reduzir o medo de hospitalização e de tratamento dental em adultos.
A ansiedade frente a testes é tão séria que o desempenho em exames não reflete com precisão o conhecimento da matéria em avaliação.
As técnicas de modificação de comportamento provocaram criticas por parte de educadores, políticos e psicólogos, sugerindo que explora as pessoas, manipulando-as e controlando-as contra a sua vontade. Porém, ela não ocorre sem o conhecimento do cliente. Sendo a autoconsciência e a autorregulação vitais para eficácia de qualquer programa de modificação ou reaprendizado de comportamento.
O determinismo recíproco é o conceito de que o comportamento é controlado pelo individuo, por meio de processos cognitivos e pelo ambiente, por meio de eventos de estimulo social externo.
A reciprocidade triádica é o conceito de que o comportamento é determinado pela interação de variáveis comportamentais, cognitivas ou situacionais.

CONCLUSÃO – A aquisição de conhecimento ou aprendizagem e desempenho observável baseado naquele conhecimento (comportamento), enfatizando a importância da observação e da modelagem dos comportamentos, atitudes e respostas emocionais dos outros. Considera: eventos ambientais (recursos, conseqüências de ações e ambiente físico), pessoais (crenças, expectativas, atitudes e conhecimento) e comportamentos (atos individuais, escolhas e declarações verbais) interagem no processo de aprendizagem denominado de determinismo recíproco: "O aprendizado seria excessivamente trabalhoso, para não mencionar perigosos, se as pessoas dependessem somente dos efeitos de suas próprias ações para informá-las sobre o que fazer. Por sorte, a maior parte do comportamento humano é aprendido pela observação através da modelagem. Pela observação dos outros, uma pessoa forma uma idéia de como novos comportamentos são executados e, em ocasiões posteriores, esta informação codificada serve como um guia para a ação".
A autorregulação e modificação cognitiva do comportamento considera: o automanejo, ou seja, programa de mudança de comportamento básico (estabelecimento de objetivos, observação de seu próprio trabalho, manutenção de registros e avaliação do próprio desempenho, seleção e liberação de reforço), estabelecimento de objetivos específicos, tornando-os públicos, registro e avaliação de progresso através de mapa, diário, listagem com a freqüência ou duração dos comportamentos em questão; e auto-reforço.
A autoinstrução e modificação cognitiva do comportamento: é um modelo adulto realiza uma tarefa enquanto fala consigo mesmo em voz alta (modelagem cognitiva). O âmbito da aplicação envolve a compreensão das desordens agressivas (Bandura, 1973) e psicológicas, em especial no contexto da modificação do comportamento (Bandura, 1969); técnica de modelagem de comportamento que é muito usada em programas de treinamento.
Os princípios reguladores são: o nível mais alto de aprendizado de observação é alcançado, primeiro, organizando e ensaiando o comportamento-modelo de modo simbólico e, depois, representando-o publicamente. A codificação de um comportamento modelado em palavras, rótulos ou imagens, resulta em retenção mais eficiente do que aquela proporcionada pela observação; é mais provável que os indivíduos adotem um comportamento como modelo se ele produzir resultados que eles valorizam; é mais provável que os indivíduos adotem um comportamento como modelo, se o modelo for parecido com o observador.
A modificação cognitiva do comportamento ocorre por meio de procedimentos baseados nos princípios comportamentais e cognitivos de aprendizagem para mudar seu próprio comportamento, usando fala privada e autoinstrução.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
BANDURA, Albert; AZZI, Roberta; POLYDORO, Soely (Orgs.). Teoria social cognitiva: conceitos básicos. Porto Alegre: Artmed, 2008.
BOCK, A.M et al.  Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2001
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
______. Teorias da personalidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014.
WOOLFOLK, Anita. Psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.


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quinta-feira, 21 de maio de 2015

A TEORIA DO CONSTRUCTO PESSOAL DE GEORGE KELLY


A VIDA DE GEORGE KELLY (1905-1967)– Nasceu numa fazenda no Kansas, Estados Unidos. Seus pais eram fundamentalistas religiosos, fornecendo uma educação irregular, razão pela qual o seu futuro era incerto: trabalhou como engenheiro e depois como professor lecionando oratória e cursos de cidadania para imigrantes. Pos-graduou-se em sociologia educacional e, anos depois, ganhou uma bolsa de estudos na Escócia e tornou-se bacharel em educação, passando a interessar-se pela psicologia, pela qual doutorou-se obtendo o seu Ph.D.

A TEORIA DO CONSTRUCTO PESSOAL – Trata da descrição de personalidade em termos de processos cognitivos, defendendo que todo ser humano é capaz de interpretar comportamentos e eventos utilizando-se dessa compreensão para orientar o comportamento e prever o comportamento de outras pessoas. Para ele, a interpretação dos eventos é mais importantes do que os eventos propriamente ditos: as pessoas são formas de movimento impulsionadas pelas próprias, nada nem ninguém faz o que efeito. As pessoas agem da mesma forma que os cientistas: elaboram teorias e hipóteses, testam diante da realidade por meio de experimentos e caso os resultados sustentem a teoria, ela é mantida; se os dados não a sustentarem, ela terá de ser descartada ou modificada e retestada.
Todo ser humano formula uma teoria denominada de constructo pessoal, por meio do qual tenta-se prever e controlar os eventos da vida e que para entender a personalidade de alguém é necessário analisar seus constructos pessoais.
Um constructo é a maneira singular de um individuo ver a vida, uma hipótese intelectual elaborada para explicar e interpretar eventos. Assim sendo, são hipóteses elaboradas e utilizadas para explicar os eventos da vida, sendo bipolares ou dicotômicos.
A capacidade de lidar com situações novas, ou seja, a adaptabilidade a situações novas é denominada de alternativismo construtivo, permitindo a visão de não há controle humano pelos constructos e que, na verdade, todo ser humano é livre para revê-los ou substituí-los por constructos alternativos. Assim sendo, o alternativismo construtivo é a ideia que todo ser humano é livre para rever ou substituir seus constructos por outros alternativos.
A base dessas ideias está no fato de os processos psicológicos são dirigidos pelas maneiras que o ser humano antecipa os eventos.
Os corolários da teoria do constructo pessoal: construção, individualidade, organização, dicotomia, escolha, extensão, experiência, modulação, fragmentação, similaridade e sociabilidade.
O corolário da construção se dá pelo fato de os eventos repetidos serem semelhantes, pode-se prever ou antecipar como será experimentado no futuro. Ou seja, semelhanças entre eventos repetidos.
O corolário da individualidade: as pessoas compreendem os eventos de formas diferentes. Diferenças individuais na interpretação dos eventos.
O corolário organização: a organização dos constructos se dá por meio de padrões, de acordo com a visão de suas semelhanças ou diferenças. As relações entre os constructos.
O corolário da dicotomia: os constructos são bipolares. São duas alternativas mutuamente exclusivas: todos os constructos são bipolares ou dicotômicos. É preciso que sejam assim para que se possa antecipar os eventos corretamente.
O corolário da escolha: a escolha de cada consctructo está na alternativa do que parecer melhor, aquela que permite prever os resultados de enventos antecipados. A liberdade de escolha.
O corolário da extensão: os constructos podem aplicar-se a muitas situações ou pessoas ou limitar-se a uma única pessoa ou situação. A dimensão da conveniência: um grau de conveniciência ou aplicabilidade limitada, ou seja, a dimensão ou grau de conveniência é o espectro de eventos aos quais um constructo pode ser aplicado. Alguns são relevantes para um numero limitado de pessoas ou situação, e outros são mais amplos.
O corolário da experiência: testa-se continuamente os constructos nas experiências da vida para certidão de que permanecem válidos. Exposição a novas experiências.
O corolário da moludação: pode-se modificar os constructos em função de novas experiências. Os constructos diferente quanto à sua permeabilidade que é a ideia de que os constructos podem ser revistos e ampliados à luz das novas experiências.
O corolário da fragmentação: pode-se às vezes ter constructos subordinados contraditórios ou incoerentes na base do sistema geral de constructos. A competição entre os constructos.
O corolário da similaridade: as pessoas em grupos ou culturas compatíveis podem apresentar constructos semelhantes. Semelhanças entre as pessoas na interpretação de eventos.
O corolário da sociabilidade: é a tentativa de entender como as pessoas pensam e predizer o que farão e, conforme for, modificar o comportamento. relações interpessoais: cada um assumo um papel diferente com relação aos outros.

AVALIAÇÃO E PESQUISA – A técnica fundamental de avaliação era a entrevista. Uma outra técnica utilizada para avaliar um sistema de constructos é o esboço de autocaracterização, ou seja, técnica para avaliar um sintoma de constructos de uma pessoa: como ela percebe a si mesma em relação a outras pessoas.
O teste de repertorio do constructo de papel (REP Teste) era utilizado para revelar os constructos empregados pelas pessoas importantes da vida de cada um.
A terapia do papel fixo é a técnica psicoterapêutica na qual o cliente representa constructos adequados a uma pessoa fictícia, mostrando-se ao cliente com os novos constructos pode se tornar mais eficazes que os antigos que ele utilizava.
A complexidade cognitiva é o estilo ou modo de interpretar o ambiente caracterizado pela capacidade de perceber diferenças entre as pessoas.
A simplicidade cognitiva é o estilo ou modo de interpretar o ambiente caracterizado por uma relativa incapacidade de enxergar diferenças entre as pessoas.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
BOCK, A.M et al.  Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2001
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
______. Teorias da personalidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014.


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