sábado, 14 de março de 2015

CONDICIONAMENTO REFLEXO E OPERANTE


CONDICIONAMENTO REFLEXO – Proposto por Pavlov, o condicionamento reflexo obedece a leis e propriedade: o objetivo da ciência é buscar relações uniformes e constantes entre os eventos.
A lei da intensidade-magnitude compreende que quanto maior a intensidade, maior a magnitude.
 A lei do limiar define que todo reflexo possui uma intensidade mínima do estimulo para eliciar uma resposta. É a faixa de valor. Valores abaixo do limiar não eliciam respostas.
Lei da latência define que a latência é o intervalo entre dois eventos. É o tempo decorrido entre o estímulo e a resposta. Quando menor a intensidade do estímulo, menor a latência entre o estimulo e a resposta.
A habituação e a potenciação são os efeitos que as eliciações sucfessivas exercem sobre o reflexo.
A habituação ocorre quando um mesmo estimulo é apresentado diversas vezes em certos intervalos, na mesma intensidade, ocorre um decréscimo na magnitude da resposta. Na potenciação, as novas eliciações aumentam a magnitude da resposta.

REFLEXO – O reflexo é a relação entre estímulo e resposta; a interação entre o organismo e o ambiente. De outra forma, o reflexo é a resposta. É a relação entre estimulo e resposta na qual o estimulo elicia a resposta.

ESTÍMULO – é uma parte ou mudança do ambiente. Ele é medido pela intensidade.

RESPOSTA – É uma mudança no organismo. É medida pela magnitude.

REFLEXO INATO – é uma alteração no ambiente que produz alteração no organismo. É a preparação mínima que se tem para interagir com o ambiente e chances de sobrevivência. Ou seja, são importantes para a sobrevivência humana.

REFLEXO APRENDIDO – No condicionamento pavloviano, os reflexos inatos são desenvolvidos pela história filogenética, com a capacidade de aprender novos reflexos: capacidade de reagir de forma diferente. Dessa forma, esse reflexo aprendido traz um estímulo neutro que não elicia. Ocorre por emparelhamento, ou seja, um estimulo neutro mais um estimulo incondicionado.
O condicionado pavloviano é o processo e procedimento pelos quais aprende-se novos reflexos. Esse condicionamento se estende a respostas imunológicas.
O reflexo incondicionado é a relação entre o objeto e a resposta incondicionada, não depende de aprendizagem.
O reflexo condicionado é aquele em que ocorreu aprendizagem, na relação entre um estimulo condicionado e uma resposta condicionada. Um reflexo é condicionado a partir de outro existente. O reflexo condicionado perde força quando o estimulo condicionado se apresenta sem novos emparelhamentos, ou seja, dá-se a extinção respondente. A recuperação espontânea se dá quando o reflexo extinto volta. Quanto mais alta a ordem do reflexo condicionado, menor é a sua força.
As emoções são relações entre estímulos e respostas, sendo comportamentos respondentes. O caso do pequeno Albert e o rato de Watson, deu-se por experimentação controlada, dominando as variáveis relevantes. Há que se considerar que as emoções são difíceis de serem controladas.
A generalização respondente ocorre após o condicionamento. Estímulos que se assemelham fisicamente ao estimulo condicionado podem passar a eliciar a resposta condicionada em questão.
O gradiente de generalização é a variação na magnitude da resposta em função das semelhantes físicas entre os estímulos.
O contracondicionamento compreende condicionar uma resposta contrária àquela produzida.
A dessensibilização sistemática ocorre baseada na generalização respondente, consistindo em dividir o procedimento em pequenos passos: construir uma escola crescente na intensidade dos estímulos (hierarquia da ansiedade) identificando o que causa mais ou menos problemas.
O condicionamento de ordem superior é um processo em que o estimulo previamente neutro elicia uma resposta condicionada como resultado do emparelhamento a um estimulo condicionado que já elicia resposta condicionada.
Os fatores influenciadores do condicionamento pavlovniano são: frequência de emparelhamento, tipos de emparelhamento, intensidade dos estímulos e grau de predição do estimulo condicionado.


CONDICIONAMENTO OPERANTE – Proposto por Skinner, é aquele que produz consequência e é afetado por elas.

REFORÇO – Reforço é a aprendizagem por consequências. As consequências de comportamento que aumenta a possibilidade de um comportamento voltar a ocorrer. É emitir uma resposta e produzir alterações. É o aumento da probabilidade de voltar a ocorrer.
O reforço positivo aumenta a probabilidade de voltar a ocorrer. Nesse caso, um estimulo é acrescentado.
O reforço negativo aumenta a probabilidade de um comportamento pela ausência ou retirada de um estímulo aversivo (que cause desprazer) após o organismo apresentar o comportamento pretendido. Nesse caso, um estímulo é retirado.
A contingência do reforço negativo ocorre com a apresentação de estímulos e retirada de estímulos. O reforçador negativo é identificado quando o estimulo é retirado do ambiente (exemplo: óculos de sol, protetor solar, chupar drops depois de fumar).
O estímulo aversivo se comporta para que não aconteça. Este é o conceito relacional e funcional, compreendendo aqueles estímulos que reduzem a frequência do comportamento que as produzem (estímulos punidores positivos) ou aumentam a frequência do comportamento que os retiram (estímulos reforçadores negativos, punição).
Por sua vez, o controle aversivo é a modificação na frequência do comportamento, utilizando reforço negativo (aumento na frequência) e punição positiva ou negativa (diminuição na frequência). Esse controle aumenta ou diminui a emissão do comportamento.
As alternativas ao controle aversivo: reforço positivo em lugar de reforço negativo; e extinção ao invés de punição.
O contracontole é o efeito colateral do controle aversivo, o organismo controlado emite uma nova resposta que impede que o agente controlador mantenha o controle sobre o seu comportamento. É o comportamento que impede o comportamento de um agente punidor.
A punição elimina o comportamento inadequado, ameaçador, indesejável. Ela suprime rapidamente a resposta. A razão de punir está na imediaticidade da consequência, eficácia não dependente de privação e facilidade no arranjo das constingências.
Na punição positiva o comportamento produz a apresentação de um estímulo aversivo, resultando na diminuição da probabilidade de emissão do mesmo comportamento futuro.  O estimulo que reduz a probabilidade de ocorrência, diminui pela adição de um estimulo aversivo punitivo.
Na punição negativa ocorre a retirada do estimulo reforçador.
Na fuga o estimulo aversivo está presente. A fuga é um comportamento mantido por reforço negativo, pela remoção do estimulo aversivo.
Na esquiva o estimulo aversivo não está presente.
O reforço arbitrário é o produto indireto do comportamento.
Os efeitos do reforço: diminuição da frequência de outros comportamentos;  e diminuição da variabilidade na topografia (forma) da resposta (do comportamento) reforçado.

A CONTINGÊNCIA DE REFORÇO – Ocorre quando as alterações no ambiente aumentam, elas voltam a ocorrer. A relação entre o comportamento e sua consequência é que define se é reforçador ou não. O reforçador natural é o produto direto do próprio comportamento.

EXTINÇÃO OPERANTE – É o procedimento de suspensão do reforço e o retorno da frequência. O procedimento de extinção do comportamento operante compreende a diminuição da frequência de ocorrência. Na extinção ocorre a diminuição gradual da resposta.
A suspensão do reforço possui efeitos temporários. A extinção é a suspensão e diminuição da frequência do comportamento.
A resistência à extinção é a repetição após a suspensão do reforço. Os que resistem à extinção são perseverantes, empenhados, teimosos ou cabeças-duras. Os fatores influenciadores da resistência à extinção são: o número de reforços anteriores; custo da resposta (se for mais difícil, desiste mais rápido); e os esquemas de reforçamento (CRF= reforço contínuo). Outros efeitos da extinção: aumento na frequência da resposta no inicio do processo de extinção; aumento na variabilidade da topografia (forma) da resposta; e eliciação de respostas emocionais (raiva, ansiedade, irritações, frustração).

MODELAGEM – Os comportamentos novos que aprendemos surgem a partir de comportamentos que já existem em nosso repertório comportamental. A modelagem é um procedimento de reforço diferencial de aproximações sucessivas de um comportamento. O resultado final é um novo comportamento. É a técnica com reforço diferencial de aproximações sucessivas do comportamento-alvo.
O reforço diferencial consiste em reforçar algumas respostas que obedecem a algum critério e não reforçar outras aproximações sucessivas do comportamento-alvo. Esse reforço envolve reforço e extinção.,].

REFERÊNCIAS
MOREIRA, M.; MEDEIROS, C. Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.
SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
SKINNER, B. F.; HOLLAND, J. G. Análise do comportamento. São Paulo: EPU, 1975.


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A PSICOLOGIA NO BRASIL


A PSICOLOGIA NO BRASIL – A profissão de psicólogo foi reconhecida no Brasil por força da Lei 4.119, de 27 de agosto de 1962, que também dispôs sobre os cursos de formação em psicologia. Ao longo desses poucos mais de cinquenta anos de existência, conforme Lane (2006) e Freitas (2009), a profissão se desenvolveu por meio de transformações e mudanças que devem ser observadas para definição do papel da psicologia e do psicólogo no Brasil.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Opinião e Mercado (Who), em 2001, revelou que o perfil do psicólogo brasileiro estava representado majoritariamente por profissionais femininas na faixa dos 26 aos 45 anos de idade, tendo a carreira sendo definida por volição e reparação: a primeira ocorre por vocação e busca do uso de recursos para realização da atividade; e a segunda, a escolha se deu para corrigir uma falha na infância. Nesse sentido, detecta-se que a identidade profissional ainda se encontra na busca pela legitimação da ocupação e de engajamento do psicólogo no campo ocupacional. Fatores internos, como realização pessoal, vocação, compatibilidade com as próprias habilidades, gosto e valorização das atividades e dos objetivos realizados pelos psicólogos mobilizam aqueles que escolhem a carreira, bem como os fatores externos, como remuneração, abertura do mercado, visibilidade da profissão e riscos diversos influenciam na decisão na definição da graduação.
A esse respeito, Moura (1999) expressa a existência de uma mobilização pró formação generalista para a área, com o objetivo de formar psicólogos-cidadãos comprometidos com a realidade social, atuando enquanto agentes de transformação, na direção da construção de uma sociedade mais justa e democrática. Tal proposta atua contra a realidade presente de adoção de uma modalidade teórico-metodológica embasada na neutralidade e estabilidade amparadas no mito da universalidade que consideram a concepção de um homem a-histórico e de que todos são iguais em qualquer época e lugar, sob a influência estadunidense das chamadas especialidades atreladas a um campo específico de atuação por meio de uma prática adaptacionista e a-crítica da matriz individualizante. Ocorre que esse modelo entrou em colapso fomentando a crise da Psicologia que se viu com a necessidade de sair das clínicas, despreparada para atender as demandas sociais. Por consequência, viu-se a necessidade de revisão da prática e ampliação da perspectiva de analise profissional, direcionando-se pela ruptura com o modelo biomédico de atuação que privilegia a prática exclusiva ao consultório e prática clínica, evitando-se a leitura psicologizante da realidade, transformando-se para que os sujeitos de desejos conquistem e reinventem a cidadania.
Por essa razão, a principal preocupação estava voltada para as diretrizes curriculares com as propostas do MEC que não ouviu nenhuma representação da categoria, ampliando a falta de flexibilidade do currículo nacional. A base de discussão se encontrava e ainda se encontra na garantia do perfil generalista, detectando, porém, a dificuldade de integração entre a prática e a teoria, notadamente na questão de uma psicologia brasileira que faça frente ao modelo descritivo e reprodutivo adotado. Além do mais, com a emergência globalizante da atualidade, recheada de expectativas de paradoxos, ampliou o conceito de profissionalismo, requerendo especializações e experiência prévia, desde o primeiro emprego até os trainees, tornando a graduação insuficiente para o competente exercício profissional. Destacam Malvezzi, Souza e Zanelli (2010) que uma visão mais acurada do curriculum profissional voltyada para habilitação e potencialidades obsta o acesso do recém-graduado pela exigência de experiência e comprovação de especialização. Assinalam os autores que a habilitação não se configura apenas com o diploma, mas por valores agregados nas competências e na trajetória profissional.
Partindo para a visualização da realidade do profissional no país, observou-se que entre as características dos psicólogos recém-graduados tem-se demonstrado que a razão do interesse pela psicologia encontra-se, segundo Malvezzi, Souza e Zanelli (2010), na viabilidade, na visibilidade, no acesso não problemático e a potencialidade de realização pessoal e profissional oferecido.
As condições de inserção profissional dos recém-graduados, anotados por Malvezzi, Souza e Zanelli (2010), expressam fatores como diversidade de contratos, multiplicidade de vínculos, indiferenciação entre emprego, estágio e trabalho esporádico, remuneração por resultados, competências, atividades exercidas e produtividade, e, enfim, a superposição e a oscilação entre trabalho formal e informal são detectados como os principais obstáculos para enquadramento profissional, levando-se em conta que os empregos são instáveis, migrantes, dinamizados por alta competitividade e com frequentes rupturas na carreira. Tanto que os autores assinalam a atividade autônoma é a modalidade mais encontrada entre os profissionais, seguindo-se de vínculos de atuação nos setores público, privado e ONGS.
Bastos, Gondim e Rodrigues (2010) apontam para as bases do processo de crescimento e interiorização profissional ocorrida na última década, demarcando a mobilidade entre os profissional no país e a origem social desses profissionais, concluindo que a profissão está em constante crescimento tanto nas capitais como no interior, em função da expansão do sistema de formação.
Nesse cenário, observa-se que no cenário da psicologia brasileira, muitas discussões ainda assinalam os mais diversos problemas da categoria. Entre esses problemas há quem aponte que o erro não se encontra apenas no ensino, nem só na falta de flexibilidade do currículo, como também, deve-se destacar, a dificuldade pela descoberta de novas possibilidades de trabalho fora da clínica, da escola ou do hospital, observando-se espaço para a atuação na área da psicologia social e comunitária, penitenciária, jurídica, esportiva, demonstrando a pluralidade profissional com uma riqueza de diversidade de condição e de natureza de trabalho. Como assinalam Malvezzi, Souza e Zanelli (2010, p. 104) que “Ser psicólogo é uma profissão aberta a diferentes caminhos, diversificada para abrigar pessoas de distintos interesses, alicerçada para enfrentar as turbulências da globalização e enriquecida de significativa pluralidade de recursos para ser uma força de transformação na sociedade”, especialmente por ser a profissão que enfrenta as contradições, os conflitos e as desigualdades presentes no contexto brasileiro.
Face tal contexto, faz-se necessário destacar a necessidade de diálogo do profissional psicólogo com equipes interdisciplinares, com capacidade empreendedora formulada a partir do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) e ênfase na pesquisa, tendo uma visão mais ampla da profissão e da descoberta de espaços de intervenção. Também merece destaque o processo de reterritorialização de atividades, pela disputa do profissional psicólogo com outras categorias, a exemplo da área de gestão, reiterando-se a necessidade de especialização flexível e competências portáteis que sejam disponibilizadas nas mais diversas situações da atividade profissional. Em vista disso, convém trazer a expressão de Malvezzi, Souza e Zanelli (2010) de que o objeto da psicologia é o comportamento, seus determinantes e o processo de adaptação do ser humano ao mundo e a si mesmo, como questão presente em todas as atividades humanas, seja na saúde, no trabalho, na educação, na construção de estruturas sociais e politicas, bem como na arte. Um profissional que seja, no dizer de Moura (1999), “[...] capaz de empreender uma prática pluralista, crítica e transformadora, que saiba reconhecer as demandas de intervenção e propor caminhos que atendam a essas demandas. No entanto, para alcançar estes propósitos teremos, inevitavelmente, que transitar por territórios desconhecidos e movediços que, certamente, produzirão rupturas irreparáveis. Entre tantas, destaca-se a necessária e urgente revisão do conceito de saúde mental, da concepção de sujeito, do modelo de sociedade e, consequentemente, da concepção de ciência e métodos de investigação que utilizamos. Depois de tudo, teremos ainda que aprender a relativizar nosso saber acadêmico frente ao saber empírico, a fim de estabelecermos um diálogo produtivo com os sujeitos concretos. Estes, sim, verdadeiros agentes de transformações na realidade sócio-econômico-político e cultural”.

REFERÊNCIA
BASTOS, Antônio; GONDIM, Sônia. O trabalho do psicólogo no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2010.
BASTOS, Antonio; GONDIM, Sônia; RODRIGUES, Ana Carolina. Uma categoria profissional em expansão: quantos somos e onde estamos: In: BASTOS, Antônio; GONDIM, Sônia. O trabalho do psicólogo no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2010.
FREITAS, Maria de Fátima. Psicologia na comunidade, psicologia da comunidade e psicologia (Social) comunitária: práticas da psicologia em comunidades nas décadas de 60 a 90 no Brasil. In: CAMPOS, R.H.F (Org.). Psicologia Social Comunitária.  Petrópolis: Vozes, 2007.
LANE, Silvia. Avanços da Psicologia Social na América Latina. In: LANE, Silvia; SAWAIA, Bader (Orgs,). Novas veredas da psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 2006.
MALVEZZI, Sigmar; SOUZA, Janice; ZANELLI, José Carlos. Inserção no mercado de trabalho: os psicólogos recém-formados. In: BASTOS, Antônio; GONDIM, Sônia. O trabalho do psicólogo no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2010.
MOURA, Eliana. A psicologia (e os psicólogos) que temos e a psicologia que queremos: reflexões a partir das propostas de diretrizes curriculares (MEC/SESU) para os cursos de graduação em psicologia. Revista Psicologia: Ciência e Profissão, vol. 19, nº 2, Brasília, 1999.
REVISTA VIVER PSICOLOGIA. O psicólogo, um perfil em construção. 22 de setembro de 2007.


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sábado, 7 de março de 2015

MESMER E O MESMERISMO

MESMER E O MESMERISMO


INTRODUÇÃO - A construção da Psicanálise por seu criador Sigmund Freud (1856-1939) foi um processo lento e laborioso, compreendendo uma pesquisa profunda e determinada para sua plenitude. Evidencia-se que essa construção recebeu inúmeras contribuições, entra elas os trabalhos e concepções do médico austríaco Franz Anton Mesmer (1734-1815) e de sua técnica denominada Mesmerismo, o qual o tornou precursor da hipnose, psicoterapia e do tratamento de doenças psicossomáticas, à época e até então taxado de charlatão, por causa do uso do magnetismo para curar.
Justifica-se a realização do presente estudo em razão de se encontrar as bases teóricas que sedimentaram o processo de construção da Psicanálise e, por consequência, da necessidade de maior observância acerca das ideias de Mesmer e do Mesmerismo na contemporaneidade.
Objetiva, portanto, tratar acerca das técnicas e métodos utilizados pelo médico austríaco Mesmer e o seu mesmerismo, observando-se a compreensão do trabalho e das suas ideias.
A metodologia empregada no presente trabalho compreende uma pesquisa de natureza exploratória de natureza bibliográfica, resultado de uma revisão da literatura disposta em livros, artigos acadêmicos e publicações especializadas da Internet.

MESMER: BREVE BIOGRAFIA E ASPECTOS HISTÓRICOS - Franz Anton Mesmer nasceu na vila de Iznang, na Áustria, no dia 23 de maio de 1734, de uma família católica cujo pai era intendente e guarda de campo do bispo de Constança. Na idade escolar estudou em escola pública, sendo, posteriormente, transferido para um convento franciscano, para fazer o colégio entre os jesuítas.
Em 1750, ingressa na Universidade de Dillingen, na Baviera, pertencente a Companhia de Jesus, onde estuda Filosofia e Direito por quatro anos, tendo acesso as obras de Galileu, Descartes, Leibniz, Kepler, Newton e outros, chegando ao Doutorado em Teologia.
Em seguida, segundo Medeiros (2000), estudou medicina na Universidade de Viena, tendo recebido seu doutorado em 1766 com uma tese que já prenunciava a tônica dos seus trabalhos posteriores: “Sobre a Influência dos Planetas no Corpo Humano”, uma vez que nesta época já havia estudos oriundos das ideias cartesianas e dos questionamentos de Newton acerca dos fluidos invisíveis relativos ao mais sutil espírito que jaz escondido em todos os corpos. Nesses estudos ele defendia a teoria de que o homem está sujeito às influencias originadas no universo, entendendo que um fluido magnético e misterioso emana das estrelas, influenciando a vida das pessoas. Com isso, entendia que a doença era causada pela má distribuição desse fluido.
Em 1768, ele casou-se com uma rica viúva mais velha dez anos que ele, Marie Ane von Posch, passando a morar nos arredores de Viena, onde instalou seu consultório médico. Apreciador de música e participante de saraus, incentivava a cultura, o que proporcionou o início de sua amizade com o ainda promissor adolescente Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) que, inclusive, fez sua estreia na mansão dele aos 12 anos de idade, com a ópera Bastien et Bastienne, encomendada pelo próprio Mesmer, então professor da Universidade de Viena. Há que se registrar que esta encomenda foi uma ajuda a Mozart, que havia sido expulso de Salzburgo, sua terra natal.
Foi daí que, conforme Darnton (1988), surgiu a amizade com o compositor e com o alquimista e maçom Conde Alessandro Cagliostro, resultando na introdução tanto de Mozart como de Mesmer na Maçonaria e numa fraternidade de ocultismo.
Acrescenta, ainda, Zweig (1930), Neubern (2008) e Santos (2015), que esse trio atuava em numerosos problemas de saúde e que juntos aperfeiçoaram um instrumento idealizado por Benjamim Franklin. Eles trabalharam em grupo que reuniam atividades médicas e musicais na criação para fins curativos da glass harmónica, inclusive, existindo até hoje Viena um grupo conhecido com o nome de Duo Glassharmonica Vienner.
Mesmer a partir disso buscou reconhecimento científico para as suas ideias do magnetismo animal, inspirado na obra do astrônomo jesuíta Maximillian Hell (1720-1792), na teoria da gravitação animal do médico inglês Richard Mead (1673-1754) e da Física do cientista inglês Isaac Newton (1643-1727), sugerindo a influência do corpo pelo magnetismo.
Assim sendo, entre os anos de 1768 e 1778, procurou Mesmer esforçar-se por fazer propaganda dos seus sucessos curativos.
Em 1773, segundo Figueiredo (2005) e Santos (2015), realizou-se o primeiro tratamento por meio do magnetismo animal, descobrindo que as mãos das pessoas seriam canais para uma espécie de magnetismo presente em todos os seres vivos, inclusive nos animais. A mesma capacidade que o magnetismo mineral possuía, o magnetismo animal detinha efeitos similares. Daí derivou-se o termo magnetismo animal. Esse tratamento foi desenvolvido na paciente, Franziska Esterlina, uma senhorita de vinte e nove anos, bastante debilitada, era uma parenta da esposa de Mesmer e amiga da família Mozart
A partir de então, ele passou a ser conhecido por aplicar o que hoje em dia se chama de “passes magnéticos” em pessoas enfermas, passando a receber duras críticas e intensa oposição de médicos ortodoxos, chegando mesmo a ser banido da medicina.
Tem-se registrado na literatura que ele realizou tratamento na famosa pianista Maria Teresa Paradis, que, após as sessões se viu curada de sua cegueira, o que gerou muitas críticas, resultando no fato de que, em 1777, Mesmer foi envolvido numa polêmica que levou a retirada da paciente com estardalhaço, pelos pais dela, dos seus cuidados.
Medeiros (2000) observa que seus métodos e, sobretudo o sensacionalismo da publicidade com que cercava seus procedimentos curativos encontraram crescente hostilidade em Viena por parte da classe médica tradicional, que sentia-se incomodada, terminando Mesmer por ser expulso da cidade pela polícia. Ele teve que se mudar para Paris em 1778, onde veio a causar grande sensação popular com as suas práticas e com o sensacionalismo com que as revestia, ganhou o apoio da imperatriz Maria Antonieta. Foi com isso que iniciou uma verdadeira campanha para ganhar o reconhecimento de suas práticas pela comunidade acadêmica francesa.
Em fevereiro de 1778, divulga sua teoria do magnetismo animal, em Paris, apresentando as suas descobertas para os sábios e médicos. Requisita, então, aos comissários da Sociedade Real de Medicina de Paris para fiscalizarem as curas, o que foi recusado. Publica, então, em Paris um relato analítico da nova ciência: “Memória sobre a descoberta do magnetismo animal”, após tentar, sem sucesso, em todas as Universidades, um exame de seu sistema. Expõe a tese defendida até então, ou seja, a existência de um fluido que interpenetrava tudo o qual poderia ser utilizado na cura de doenças.
Insistindo, publicou em 1779 a sua obra “A Descoberta do Magnetismo Animal”, na qual acreditava que as curas poderiam ser promovidas por meio do poder dos imãs. Com a evolução do magnetismo animal, Mesmer insistiu em experimentos e tratamentos com imãs (magnetos), mas concluiu que o próprio corpo humano emanava forças mais poderosas que as do imã, o qual poderia ser utilizado na cura de doenças. Teve boa aceitação, mas depois caiu em descrédito
Em busca de reconhecimento científico para a sua descoberta, propõe à Faculdade de Medicina de Paris, um teste comparativo de seu método com a medicina tradicional. Esses estudos acerca dos fluídos magnéticos encontrados na natureza, a seu ver, possuíam propósitos terapêuticos e possibilitaria a cura das pessoas.
Numa Assembleia Geral, realizada em 18 de setembro de 1780 e, após uma leitura e um discurso, d'Eslon, seu discípulo, foi excluído do quadro dos médicos e as proposições de Mesmer foram rejeitadas com desdém e animosidade. É então que publica o que viria a ser a mais importante descrição histórica da ciência do magnetismo animal, intitulada “Resumo histórico dos fatos relativos ao magnetismo animal”.
Em seguida ele abandona definitivamente o uso direto dos imãs e passa a utilizar vários outros objetos nas suas sessões, principalmente um tubo de vidro que se tornaria famoso – a tina mesmérica -, mas que não passava de uma forma modificada de uma garrafa de Leyden, espécie de capacitor primitivo inventado por Peter van Mussenbroek na primeira metade do século XVIII. As garrafas de Leyden eram capazes de concentrar uma grande quantidade de cargas elétricas, podendo dispensar, desta forma, choques violentos.
Segundo as teorias de fluidos elétricos vigentes à época a garrafa era vista como um condensador deste fluido. E Mesmer soube utilizar os efeitos produzidos por um tal instrumento com grande destreza sensacionalista, vinculando a crença científica no fluido elétrico ao seu construto de um fluido vital de natureza magnética.
Ressalte-se que a crença na existência de fluidos vitais era algo bem antiga e que persistia desde eras remotas, mas que encontrava grande receptividade à época.
A crença de Mesmer, portanto, na existência desse fluido elétrico ou magnético animal, não era um fato isolado, mas estava ligada a um conjunto de crenças vigentes àquela época. Esse pensamento exerceria grande influência sobre alguns cientistas dos séculos XVIII e XIX, notadamente sobre Galvani e Aldini.
Dentro deste quadro de mútuas influências, Mesmer passou então a defender, com vigor crescente, a ideia de que seu próprio corpo atuava como um tipo de imã animal, reforçando o fluido vital ou magnético nos corpos dos seus pacientes.
Por esse prisma, a doença, dentro do paradigma do mesmerismo era vista assim como um obstáculo ao fluxo dos fluidos vitais. Ele rompia esse obstáculo produzindo uma crise, frequentemente assinalada por convulsões, restaurando assim a harmonia perdida. Nesse contexto, as ideias de Mesmer eram vistas como uma espécie de medicina natural dentre outras desenvolvidas à época.
Mesmer, segundo Medeiros (2000) e Neubern (2008) não fornecia, porém, nenhuma peça de evidência convincente, em termos que pudessem ser aceitos por uma comunidade científica que rejeitava, por motivos variados, a sua teoria. Não fornecia, igualmente, nem mesmo quaisquer descrições mais rigorosas dos seus experimentos que os tornassem reprodutíveis por outros pesquisadores. Muito pelo contrário, suas práticas eram crescentemente relacionadas com um certo ocultismo de tradição hermética, com as formas de procedimento sendo transmitidas apenas aos seus seguidores tidos como iniciados.
A grande polêmica que se estabeleceu sobre as suas práticas, com claras acusações de charlatanismo, não impediu, porém, que o estado de transe induzido, abrisse um debate sobre a possível existência de um campo da atividade mental que não parecia estar disponível conscientemente, mas que poderia afetar os pensamentos e as ações dos indivíduos. Estava iniciada a prática que posteriormente seria chamada de hipnotismo.
Em 1781, publicou o “Sumário Histórico dos Fatos Relativos ao Magnetismo Animal”. Em seguida, em 1784, assinala Santos (2015) que Mesmer envia uma carta a Benjamin Franklin denunciando os equívocos da comissão nomeada para examinar seu discípulo d'Eslon, desautorizado para agir em seu nome, e a impropriedade do método adotado. Por causa disso, o rei da França nomeia uma comissão de sábios da Academia de Ciências de Paris - Jean-Sylvain Bailly (1736-1793), Joseph-Ignace Guillotin (1738-1814), Benjamin Franklin (1706-1790), Antoine-Laurent Lavoiser (1743-1794) -, que em quatro meses conclui que as proposições de Mesmer não passavam de imaginação e autossugestão dos pacientes, redigindo também um relatório secreto enviado à polícia que alertava para o ambiente potencialmente licencioso das clínicas mesmeristas.
Outra comissão formada por médicos da Sociedade Real de Medicina também rejeita a existência do magnetismo animal. Porém, um de seus membros, Jussieu, divergiu dos colegas e admitiu curas. Mesmo assim, as vinte e sete proposições de Mesmer foram analisadas por essa comissão designada pelo governo francês para averiguação da validade de suas curas, sendo assinaladas como releituras do alquimista Paracelso e de outros autores ligados ao Ocultismo. Vários ataques surgiram contra Mesmer, tendo a comissão classificado que as curas obtidas pelo magnetismo animal seriam apenas efeito de sugestão. Todavia, conforma anotado por Darnton (1988), seus biógrafos afirmam que ele já praticava a arte da cura em sua terra natal, na fronteira entre Prússia, Áustria e Suíça, pois na época em que chegara à capital já trazia a fama de ser bom curador dos “males da alma”.
Também registra Santos (2015) que suas ideias foram incompreendidas, resultando ser expulso das cidades de Viena e Paris. Todavia, em 1785, seus alunos publicaram os seus Aforismos. Logo depois, em 1787, Mesmer é homenageado por Mozart, em sua ópera Così fan tutte, na qual, no final do primeiro ato, a personagem Despina, fantasiada de médico, imita Mesmer e seu tratamento. Neste mesmo ano, a esposa de Mesmer falece de câncer no seio. Em seguida, ele é preso pela polícia, ao retornar a Viena, pois estava sendo investigado por questões políticas, suspeito de ser favorável aos jacobinos. Liberado, fica sob custódia até 5 de dezembro. Continuaria, porém, sendo observado pelas autoridades e retorna a Paris, depois se mudando para Versalhes.
Em 1799 lançou sua principal obra “Memória de F. A. Mesmer, Doutor em Medicina, Sobre suas Descobertas”,
Por mais que persistisse os seus propósitos não encontraram repercussões significativas entre as instituições de pesquisas científicas e mesmo rechaçado pelas avaliações do químico francês Antoine Laurent de Lavoisier (1843-1794) e o cientista, inventor e diplomata estadunidense Benjamin Franklin (1706-1790), deu-se que outra comissão de cientistas formada anos depois veio demonstrar alguns dos erros da comissão de Franklin e Lavoisier, assumindo a veracidade das curas magnéticas. Mesmo assim, conforme Santos (2015), Mesmer foi desqualificado pelos herdeiros da episteme clássica, não se reabilitando ao pensamento oitocentista nascente, a episteme moderna, no dizer de Foucault (2007).
Apesar do esforço de Mesmer para ter o reconhecimento de seus pares e receber as honras das academias de ciência, sua teoria não passou pelo teste de Lavoisier e Franklin, a existência do magnetismo animal não pode ser comprovada.
Por essa razão, Mesmer fica extremamente contrariado e se retira da vida pública, desaparecendo por alguns anos, só voltando à sua terra natal, em silêncio, para dar continuidade às suas práticas magnéticas.
Em 1815, com quase oitenta anos, Mesmer morreu.

MESMERISMO: A TERAPÊUTICA DO MAGNETISMO ANIMAL E DA HIPNOSE - O mesmerismo foi a denominação dada ao tratamento desenvolvido por Mesmer, reconhecido predecessor do hipnotismo e, de acordo com essa teoria, é possível irradiar o magnetismo animal não apenas para pessoas, mas também magnetizar objetos, como camas, água e pratos.
Para Santos (2015), trata-se das técnicas de cura magnética que se utilizam das mãos do operador para tratar casos de doenças físicas.
Assim, o princípio básico do Mesmerismo diz que tanto os animais quanto os seres humanos seriam também possuidores de uma forma de magnetismo, tal como o magnetismo de um ímã.

O MAGNETISMO ANIMAL E SEUS PRINCÍPIOS - Mesmer iniciou suas pesquisas com o imã e com a magnetização de objetos. Depois descobriu que não apenas os minerais, mas também os animais e o homem eram possuidores de uma forma especial de magnetismo, a qual chamou de magnetismo animal.
Todo o modelo teórico desse magnetismo contido na sua obra pode ser entendido pelo excelente resumo dos vinte e sete pontos de suas proposições, que em resumo propunha:
1º Existe uma influência mútua entre os corpos celestes, a terra e os corpos animados.
2º Um fluido universalmente propagado e contínuo, de modo a não sofrer qualquer vazio, cuja sutileza não permite comparações, e que, por sua natureza é suscetível de receber, propagar e comunicar todas as impressões do movimento, é o meio desta influencia.
3º Essa ação recíproca está submetida a leis mecânicas desconhecidas até o presente.
4º Resultam dessa ação efeitos alternativos que podem ser considerados como um fluxo e refluxo.
5º Este fluxo e refluxo é mais ou menos geral, mais ou menos particular, mais ou menos composto, segundo a natureza das causas que o determinam.
6º É por essa operação, a mais universal que a natureza nos oferece, que as relações de atividade se exercem entre os corpos celestes, a Terra e suas partes constitutivas.
7º As propriedades da matéria e dos corpos organizados dependem desta operação.
8º O corpo animal prova os efeitos alternativos deste agente, que ao se insinuar na estrutura dos nervos, afeta-os imediatamente.
9º Ele manifesta, especialmente no corpo humano, propriedades análogas ao ímã. Distinguem-se polos igualmente diferentes e opostos, que podem ser comunicados, trocados, destruídos e reforçados; o próprio fenômeno da inclinação é também ai observado.
10º A propriedade do corpo animal que o torna suscetível à influência dos corpos celestes e a ação recíproca daqueles que o cercam, manifesta pela sua analogia com o ímã, determinou a chama-lo: “Magnetismo Animal.
11º A ação e a virtude do Magnetismo Animal, assim caracterizados, podem ser comunicados a outros corpos animados e inanimados. Uns e outros, entretanto, são mais ou menos suscetíveis.
12º Essa ação e essa virtude do Magnetismo Animal podem ser reforçadas e prolongadas por esses mesmos corpos.
13º Observa-se, em experiências, o escoamento de uma matéria, cuja sutileza penetra todos os corpos, sem perder praticamente sua atividade.
14º Sua ação realiza-se a distância afastada, sem a intervenção de qualquer corpo, intermediário.
15º Ela é aumentada e refletida pelos espelhos, tal como a luz.
16º Ela é comunicada propagada e aumentada pelo som.
17º Essa virtude magnética pode ser acumulada, concentrada, transformada.
18º Disse que os corpos animados não são igualmente suscetíveis; acontece mesmo, ainda que muito raramente, que têm uma propriedade tão oposta que sua simples presença destrói todos os efeitos desse magnetismo em outros corpos.
19º Essa virtude oposta também penetra todos os corpos; ela pode ser comunicada, propagada, acumulada e transformada, refletida por espelhos e propagada pelo som; o que constitui não apenas uma privação, mas uma virtude oposta: positiva.
20º O ímã, natural ou artificial, é suscetível ao magnetismo animal e à virtude oposta, sem que sua ação sobre a agulha seja alternada; o princípio do magnetismo animal difere, portanto, do mineral.
21º Este sistema fornecerá esclarecimentos sobre a natureza do fogo e da luz, bem como pela teoria da atração, sobre o fluxo e o refluxo do ímã e da eletricidade.
22º Ele permitirá saber que o ímã e a eletricidade artificial tem, em relação as doenças, apenas propriedades comuns a um grande número de outros agentes e que, se resultam alguns afeitos úteis da administração daqueles, isso se deve ao magnetismo animal.
23º Reconhecer-se-á, por esses fatos, segundo as regras práticas que estabelecerei, que o princípio pode curar diretamente as doenças dos nervos e indiretamente as demais.
24º Com sua ajuda, o médico é esclarecido sobre a utilização dos medicamentos; aperfeiçoa sua ação, provoca e dirige as crises salutares, de modo a se tornar o senhor da situação.
25º Ao comunicar meu método, demonstrarei por uma nova teoria das doenças, a unidade universal do princípio que lhe aponho.
26º Com este conhecimento, o médico julgará seguramente a natureza e o progresso das doenças, mesmo das mais complicadas; ele impedirá seu desenvolvimento e alcançará sua cura, sem jamais expor o doente a efeitos perigosos ou a resultados inoportunos, seja qual for a idade, o temperamento ou o sexo. As mulheres grávidas e por ocasião dos partos gozarão das mesmas vantagens.
27º Esta doutrina, enfim colocará o médico em condições de julgar corretamente o grau de saúde de cada indivíduo e de preserva-lo das doenças às quais ele possa estar exposto. A arte de curar chegará à sua maior perfeição.
No dizer de Medeiros (2000), essas concepções foram desenvolvidas livremente sob a influência da Física newtoniana e de Mead. De Newton provinha a ideia de que corpos como a Lua e o Sol podiam influenciar fenômenos terrestres como as marés parece ter exercido sobre ele um enorme fascínio; e de Mead a ideia da gravitação animal. Essas ideias ele associou à medicina na defesa de que a saúde era uma resultante harmônica entre os órgãos do corpo e os planetas, acreditando, assim, haver uma conexão entre a gravitação universal newtoniana e o poder do corpo e da mente humana. Daí, portanto, ele começou a defender a sua ideia de magnetismo animal, utilizando-se de imãs para efeitos medicinais. Por consequência, advogava a ideia de que o corpo era análogo ao imã e que um fluido vital ou magnético escoava de acordo com as leis da atração magnética, aplicando essas ideias ao tratamento médico na cura da histeria, bem como de vômitos, convulsões e paralisias.

A TERAPIA DO MESMERISMO - Mediante o exposto, assinala Santos (2015) que a terapia de Mesmer consistia, dessa maneira, em fazer fluir novamente o magnetismo animal. Não havia a ingestão de remédios, a aplicação de sangrias ou banhos frios, tampouco a aplicação de choques. O médico sentava-se em frente ao paciente e ia tocando em seus joelhos, mãos e hipocôndrio, olhando fixamente dentro de seus olhos.
Em conformidade com o recolhido por Darnton (1988), Zweig (1930), Figueiredo (2005), Medeiros (2000) e Roudinesco e Plon (1998), as ideias e estudos de Mesmer levaram-no à crença sobre a existência de um fluído magnético que se encontrava na natureza e que o seu conhecimento possibilitaria a transmissão desse potencial para as pessoas sobre os propósitos terapêuticos.
O fluído magnético de Mesmer seria, dessa maneira, análogo a um fluído elétrico. O magnetismo, no entanto, tinha uma característica interessante: como já sinalizado anteriormente, ele estava especialmente relacionado com o que Mesmer chamou de “sistema nervoso”. Além da denominação, o austríaco chamava a atenção para as dificuldades que os médicos contemporâneos a ele encontravam para restabelecer a saúde das pessoas adoecidas, especialmente daquelas que sofriam de males nervosos. Ele acreditava, ainda, que era necessário reconhecer a insuficiência médica no trato com tais doenças, pois somente assim poderia ocorrer uma melhoria na arte de curar os nervos. E mais: que apesar de todos os avanços realizados até aquele momento, os médicos continuavam ignorando o funcionamento do sistema nervoso, sua “ordem natural”.

O BAQUET, A TINA MESMÉRICA OU CUBA MAGNÉTICA - Como o número de seus clientes cresceu bastante durante sua morada em Paris, Mesmer idealizou uma forma de tratamento em grupo. Para tanto criou a chamada ‘tina mesmérica’ – o Barquet: uma espécie de reservatório de água que continha no fundo, limalha de ferro e cacos de vidro, além de garrafas concentricamente dispostas. O fundo da tina é composto de garrafas arranjadas entre si de maneira particular. Acima dessas garrafas, coloca-se água até uma certa altura; varas de ferro, cujas extremidades tocam a água, saem dessa tina; e a outra extremidade, terminada em ponta, se aplica sobre os doentes. Uma corda, em comunicação com o reservatório magnético e o reservatório comum, liga todos os doentes uns aos outros; de modo que existe uma circulação de fluido ou de movimento que serve para estabelecer o equilíbrio entre eles.
Tal reservatório fora criado para atender a população carente. E para tanto ele magnetizava árvores e pendurava cordas em seus galhos. Os que seguravam as cordas recebiam o fluido vital que precisavam. Essa tina e árvores mesmerisadas eram tidas por Mesmer como acessórios muitas vezes dispensáveis utilizados apenas para que ele pudesse atender mais pessoas em menos tempo.
Assim sendo, o Baquet consistia em uma espécie de tina ou barril de madeira onde eram colocados água magnetizada e, eventualmente, outros elementos. Dele saiam pequenos cordões, seguros na extremidade pelos pacientes, que serviriam de condutores para o fluido.
Expressa Santos (2015) que nas sessões coletivas realizadas em Paris, ele utilizava essa “cuba magnética”, aparato inspirado na recém descoberta garrafa de Leyden, que consistia em uma espécie de banheira redonda onde ficava contida a água magnetizada. Nas bordas desse tanque havia uma porção de hastes de ferro, utilizadas pelos pacientes para tocar a região do corpo onde o magnetismo animal estava concentrado, ou seja, a parte que doía. Depois os pacientes davam as mãos, fechava-se o círculo e, com isso, o magnetismo circulava entre todos os presentes.
O próprio Mesmer, ao final de cada sessão, tocava um instrumento chamado harmônica de vidro, cujo som etéreo, semelhante à vibração de taças de vidro, facilitava a comunicação e propagação do magnetismo. Não havia conversação durante as sessões. Os passes, as músicas, o ambiente terapêutico repleto de espelhos eram os meios usados por Mesmer para aos poucos promover suas curas.
Havia ainda, segundo Darnton (1988), um elemento fundamental para que o processo terapêutico se efetivasse: a crise. Geralmente essa crise era uma intensificação do problema que vinha prejudicando a saúde do paciente. Eram convulsões, crises asmáticas, vômitos, síncopes. Segundo Mesmer, tais crises deveriam ocorrer para que a doença se enfraquecesse até desaparecer. Nesse trajeto, também a intensidade das crises diminuía, até que ela não incomodasse mais o doente.

A HIPNOSE MESMÉRICA - Assinala Medeiros (2000) que Mesmer utiliza-se do tratamento das pessoas, deixando-as em transe para subordiná-los inteiramente à sua vontade e exercendo conscientemente o magnetismo animal.
Conforme Zweig (1930) e Foucault (2007), a hipnose era uma prática antiga em culturas distantes no tempo, como sendo uma forma de cura e que era utilizada pelos sacerdotes. Não era usada nos termos formais de hipnose, mas utilizava-se processos e procedimentos hipnóticos para a cura de dores e doenças.
Encontra-se registro dessa prática no Egito antigo do século 1500 a.C., quando os sacerdotes induziam um certo tipo de estado hipnótico com finalidade de cura, conforme escrito nos papiros de Ebers. Estes papiros continham uma coletânea de antigos escritos médicos descrevendo como aliviar a dor e as doenças.
Também na Grécia antiga dos templos Asclépia, se fazia o diagnóstico e cura dos doentes por intermédio do sono divino ou terapia onírica. Neste estado anterior ao sono, chamado na época estado hipnagógico, as imagens irrompiam automaticamente à consciência do doente e o sacerdote trabalhava simbolicamente sobre estas imagens, fornecendo sugestões hipnóticas de cura.
No século XI, Avicena - médico iraniano, filósofo e sábio, acreditava que a imaginação era capaz de enfermar e curar as pessoas.
No século XVI Paracelsus, alquimista e principal representante da medicina hermética, acreditava na influência magnética das estrelas na cura de pessoas doentes, vindo a confeccionar talismãs com inscrições planetárias e zodiacais.
Observa-se, portanto, que a hipnose utilizada na antiguidade era impregnada de magia, misticismo e religiosidade com objetivos de cura através da imaginação, profecias, captação de ideias e mensagens dos deuses. Utilizava-se induções hipnóticas individuais ou em grupos, através de danças, cantos, orações, rituais e palavras.
Foi Mesmer que passou a conduzir tal prática nos seus tratamentos e na cura das doenças, realizando várias cirurgias e anestesias sobre o sono mesmérico, desenvolvendo-se a partir daí a expressão Mesmerismo.
Foi somente no século XIX que o médico inglês James Braid (1795-1859), assistindo a uma cirurgia efetuada por Mesmer com anestesia geral provocada pelo uso da hipnose, passou a estudar o processo vindo a reformular a teoria de Mesmer, definindo-a como o estado hipnótico um estado particular de "sono do sistema nervoso", vindo a cunhar o termo hipnose, do grego Hypnos que simbolizava o Deus do sono na Mitologia Grega. Dessa forma, o termo hipnose ficou erroneamente associada a ideia de sono. Logo depois de haver cunhado este termo, James Braid se arrependeu pois percebeu que cientificamente a hipnose não poderia ser comparada ao sono, sendo um estado justamente oposto ao sono, de intensa atividade psíquica e mental. Braid utilizava basicamente a hipnose como forma de se obter a anestesia cirúrgica e para ensinar autohipnose aos pacientes, lembrando que o éter foi introduzido somente 1846 e o clorofôrmio em 1847. Assim, durante muitos anos a hipnose foi esquecida e mal interpretada por não se compreender na época a natureza e dinâmica dos seus fenômenos. Ela foi resgatada na França por duas importantes escolas de pensamento que possuíam visões muito distintas sob o fenômeno da hipnose: a escola de Salpêtrière, liderada por Jean-Martin Charcot (1835-1893) e a escola de Nancy, comandada por Auguste A. Liebeault (1823-1904) e Hipolyte Bernheim (1840-19191).

CONSIDERAÇÕES ACERCA DO MESMERISMO - No dizer de Santos (2015), Mesmer foi um fruto de sua época, era um “filho do Iluminismo” e estava inserido em círculos intelectuais de finais do século XVIII, e, ainda que influenciado pelo pensamento mágico-vitalista, tentava articular seu discurso nos termos do mecanicismo. Isso porque, segundo Darnton (1988), o mesmerismo tinha mais em comum com as teorias vitalistas que haviam se multiplicado desde a época de Paracelso e que o seu sistema descendia diretamente dos sistemas tanto do alquimista, como de J. B. van Helmont, Robert Fludd e William Maxwell, que apresentavam a saúde como um estado de harmonia entre o microcosmo individual e o macrocosmo celestial, envolvendo fluidos, magnetos humanos e influências ocultas de toda espécie. Seguia, portanto, os princípios conhecidos da atração universal, constatando por meio de observações que os planetas se afetam mutuamente em suas órbitas, e que a Lua e o Sol causam e dirigem, no globo, o fluxo e o refluxo do mar, assim como o da atmosfera; avançando, essas esferas exercem também uma ação direta sobre todas as partes constitutivas dos corpos animados, particularmente sobre o sistema nervoso, por meio de um fluido que a tudo penetra. Ao constatar a ação pela intensão e remissão das propriedades da matéria e dos corpos organizados, que são: a gravidade, a coesão, a elasticidade, a irritabilidade, a eletricidade. Portanto, a afetação mútua dos astros celestes, chamada por Mesmer de agente geral fazia movimentar um fluido muito sutil, universal, que agia diretamente nas propriedades da matéria. Sendo o corpo humano constituído de matéria, o fluido também nele agia, passando, sobretudo, pelos nervos, os principais agentes das sensações e do movimento.
O magnetismo de Mesmer pode ser definido, portanto, como a reciprocidade estabelecida entre duas criaturas vivas através do fluido magnético. Esta ciência foi amplamente dominada durante a Era Antiga, particularmente no Egito, onde ela era utilizada nos rituais religiosos conhecidos como Mistérios, pois eram reservados apenas aos iniciados em seus conhecimentos.
As perseguições e proibições dos métodos utilizados por Mesmer, mesmo que ele tenha curado comprovadamente muita gente e aos poucos sua fama começou a se espalhar e a clientela aumentou consideravelmente, tendo por principais adversários dois conhecidos oftalmologistas de Viena, o professor Barth e dr. Shoerk, que haviam diagnosticado como incurável a cegueira da pianista Maria Teresa Paradis, a mesma que foi curada por Mesmer, mas que sob nova intriga, fora retirada à força do tratamento dele. Viu-se, portanto, Mesmer sem apoio de seus colegas.
Neubern (2008) destaca as ligações perigosas na construção da marginalidade do sistema de Mesmer e seu parentesco com antigos sistemas renascentistas que uniam, numa mesma tentativa, os primeiros esboços da racionalidade científica e os antigos ensinos sobre a magia O mesmerismo, apesar de seu apelo quase desesperado de legitimação científica, compunha, aos olhos de muitos médicos, o grosso e incômodo volume de terapias que preconizavam o uso de faculdades naturais dos indivíduos e poderiam ser praticados por qualquer pessoa, mesmo que não possuísse formação médica. À essa altura, não eram apenas os médicos que se colocavam na defensiva e contribuíam de forma substancial para uma oposição forte e organizada contra o mesmerismo, incluindo-se a Igreja Católica.
O mesmerismo trazia ainda, segundo Neubern (2008), uma perspectiva distinta enquanto tratamento terapêutico. Saindo da frieza típica e questionada dos ambientes médicos e acadêmicos, suas expressões comportavam um alto teor catártico, provocando a estranheza e a condenação por parte de instituições, autoridades e profissionais. É possível que o envolvimento relacional significativamente distinto entre o médico e sua clientela, comportando uma troca emocional acentuada, somada ao caráter teatral de muitos terapeutas, como o próprio Mesmer, promovessem possibilidades de expressão emocional pouco aceitas na sociedade da época, inclusive devido a seu teor erótico. Essa dimensão foi um dos principais pilares da condenação do mesmerismo, posto que originou um relatório secreto no qual as comissões sugeriam os perigos de sedução nele existente sobre as mulheres. Em suma, todo o teor erótico ou catártico típico dos pacientes em torno do baquet não consistiam, para os médicos da época, em elementos inerentes a um processo terapêutico, mas na possibilidade de abuso dos pacientes, inclusive os femininos. Uma vez que se criava um tal contexto, quaisquer elementos referentes às relações humanas no mesmerismo poderiam ser facilmente qualificado como uma perversão dos valores sexuais. Numerosos panfletos, anônimos ou de autoria conhecida, foram escritos com acusações contra Mesmer e seus seguidores, embora nenhuma denúncia tenha sido feita ou nenhum fato tenha sido comprovado nesse sentido.
Mesmer é lembrado ainda como o percursor do hipnotismo e, segundo Zwieg (1930) e Figueiredo (2005), razão pela qual, em 1843, o primeiro sinal de apoio advindo da comunidade científica apareceu por parte dos trabalhos de James Braid que alegou haver conseguido separar o “magnetismo animal” daquilo que ele denominou o “hipnotismo”, um termo propositadamente introduzido com a finalidade de substituir o mesmerismo. Para Braid as curas obtidas por Mesmer não teriam sido devidas ao magnetismo animal alegado, mas ao poder da sugestão. Foi o desenvolvimento dessas técnicas de sugestão que levou Braid ao hipnotismo. Anos depois, ainda no século XIX, Jean Marie Charcot viria a interpretar o hipnotismo como simples manifestações de histeria, retornando às explicações magnéticas de Mesmer e classificando três estados de transe: a letargia, a catalepsia e o sonambulismo. As polêmicas de Charcot com os defensores do hipnotismo, principalmente os componentes do grupo de Nancy (Liebault e Bernheim) são um outro belo capítulo das disputas interpretativas na história da ciência.

CONCLUSÃO - A resistência e perseguição aos métodos de Mesmer se deve, inicialmente, à sua filiação mística e ao Ocultismo, fato este que encontra um rico arsenal de exemplos que consolidaram a injustiça, inclusive com Paracelso só resgatado em pleno séc. XXI. A sua ligação com Mozart – reconhecido apenas como compositor – e com Cagliostro – este carrega uma pecha de charlatão até o presente momento, sendo revisto apenas com o advento do desenvolvimento da Neurociência -, com a ordem maçônica e com o Ocultismo, tem-se revestido de fonte de incompreensões e mal entendidos a esse respeito.
Há que se salientar que Neubern (2008) por meio de uma releitura bibliográfica enfocou uma série de revisões históricas que propõem novas perspectivas de entendimento sobre os acontecimentos envolvendo Mesmer e sua proposta terapêutica – o magnetismo animal ou mesmerismo, embasado na revisão que se tem feito na atualidade ao que se entende por místico e ocultismo. Tais estudos rompem com a ideia linear e por vezes parcial de que o mesmerismo tenha sido apenas inconsistente diante das exigências metodológicas que mais tarde poderiam finalmente serem satisfeitas por uma psicologia enfim científica. Questionam a série de erros existentes no processo de avaliação levado a cabo pelas comissões oficiais, como também apontam para uma diversidade de fatores do contexto social da época que contribuíram significativamente para a oposição sistemática criada contra o mesmo: a subversão social que existia potencialmente em seus pressupostos e adeptos e os incômodos causados junto a instituições reguladoras da sociedade, como a Igreja, o Estado e a família. Tais estudos levam a conceber que existiram inúmeros fatores que contribuíram para a rejeição do mesmerismo e que, mais que isso, os processos de ordem social ocuparam um lugar privilegiado em meio a essas construções. Há que se destacar as ressonâncias de práticas sociais em determinados contextos que alimentaram a indisposição das instituições dominantes contra tal doutrina, no que concerne às questões gerais sobre a associação com doutrinas mágicas, os dilemas epistemológicos, a associação com movimentos subversivos e algumas dificuldades das relações entre Mesmer e as instituições científicas.
Por conclusão, encontra-se ressonância na revisão da literatura de que a construção da marginalidade do mesmerismo não se deu apenas em função das incompatibilidades metodológicas e epistemológicas com a racionalidade dominante, mas foi também profundamente influenciada pelo contexto, práticas e instituições sociais da época. A indisposição criada contra o mesmerismo era de ordem pessoal que o colocava como aliado das práticas subversivas, como a magia e o espiritualismo, a instituições suspeitas, como a maçonaria, associava-se a noções indesejáveis, como as renascentistas, e acabava questionando pontos centrais da ordem regulatória vigente, fosse em termos de uma epistemologia cartesiana, fosse em termos da própria estratificação social ou da autoridade médica.
Dentro desse quadro, observa Medeiros (2000) que as influências exercidas por Mesmer, a heterodoxia das suas práticas e o fundamento das suas crenças, são, entretanto, pontos importantes que podem testemunhar a importância e contemporaneidade e que, pelos estudos ora realizados, chegou-se a conclusão tratar-se Mesmer do precursor dos métodos hipnóticos que passaram a ser desenvolvidos a partir dele no séc. XIX pelo médico escocês James Braid Mesmer (1795-1860), bem como da utilização da técnica terapêutica preocupado com a cura das pessoas.

REFERÊNCIAS

DARNTON, Robert. O lado oculto da revolução: Mesmer e o final do Iluminismo na França. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1988.
FIGUEIREDO, Paulo Henrique. Mesmer, a ciência negada e os textos escondidos. Bragança Paulista (SP): Lachâtre, 2005.
FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
MEDEIROS, Alexandre. Mesmer a doutrina do magnetismo animal no século XVIII. I Simpósio Latino-Americano da Ioste. São Paulo, USP, fevereiro de 2000.
NEUBERN, Maurício. Sobre a construção da marginalidade no mesmerismo. Revista Psico, v. 39, n. 1, pp. 106-112, jan./mar. 2008.
ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. São Paulo: Zahar, 1998.
SANTOS, Maria Siqueira. Elementos alquímicos na teoria magnética de F. A. Mesmer. Congresso de História das Ciências - História Social pela UEL. Disponível em http://www.sbhc.org.br/resources/anais/10/1345055132_ARQUIVO_MariaSiqueiraSantos_13CongressodeHistoriadasCiencias.pdf. Acesso em 16 fev 2015.
ZWEIG, Stefan. A cura pelo espírito: Mesmer, Mary Baker-Eddy, Freud. Rio de Janeiro: Guanabara, 1930.

*Trabalho apresentado por Luiz Alberto Machado, Taiana Marina Kislanov e Vinicio Morais Fontes, como exigência da disciplina Psicanálise, ministrada pela professora Olivia Noris Cunha de Farias, em março de 2015.

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