O Frevo é um gênero musical e de dança
que é Patrimônio Imaterial do Brasil (IPHAN, 2007) e Patrimônio Cultural Imaterial
da Humanidade (Unesco, 2012). É uma expressão artística que surgiu no Recife, Pernambuco,
no final do século 19, fruto da rivalidade entre blocos de capoeiristas e
bandas militares, e oriundo de um estilo instrumental com orquestras de metais
e fanfarras, misturando marcha, maxixe e capoeira, razão pela qual é
caracterizado meio de passos acelerados, saltos e uso de sombrinhas pequenas
coloridas. O seu nome deriva de uma corruptela do verbo “ferver”, simbolizando calor,
agitação e o fervilhar das ruas. A dança é complexa com mais de 100 passos
conhecidos, incluindo entre eles tesoura, mola, dobradiça, parafuso e a base de
calcanhar. A música é executada como Frevo de Rua, modelo instrumental,
frenético e próprio para dançar passinho; Frevo de Bloco, acompanhado de cantor
e orquestra de pau e corda, com tom nostálgico; e Frevo-canção, mais lento com
introdução e letra. Por seu expressivo valor artístico, apresento abaixo
algumas referências para pesquisa.
O livro Frevo: a choreological performance (Richard Veiga, 2017), da
jornalista, historiadora, pesquisadora e professora Maria Goretti Rocha de
Oliveira, trata sobre a música e a dança por meio de uma pesquisa realizada
no Departamento de Estudos da Dança da
Escola de Artes Cênicas da Universidade de Surrey, na Inglaterra, e defendida
em 2002, observando os movimentos do frevo, analisando a qualidade do que é
dançado e como se dança, a partir dos métodos utilizados pelo "Frevo no
Pé", criado por Nascimento do Passo e a prática de bailarinos e passistas
como Flaira Ferro, Ângelo Madureira, Jaflis do Nascimento, entre outros. O livro
é divido em duas partes, na primeira com cinco capítulos, busca decifrar os
códigos e convenções coreográficas do passo. Na segunda parte com quatro
capítulos, discute sobre improvisação, elencando um dicionário de movimentos do
frevo-dança e também Manejos de sombrinha e passagem. Veja mais aqui e aqui.
O livro Danças populares como
espetáculo público no Recife de 1970 a 1988 (Fundarpe/SEC, 1993), da
historiadora e pesquisadora doutora em Dança pela University of Surrey, Maria
Goretti Rocha de Oliveira, oriundo da sua dissertação de mestrado em história
(UFPE, 1991) defendida sob a orientação do professor Marcus Joaquim Maciel de
Carvalho, trata sobre os espetáculos de danças populares por meio da pesquisa
realizada, através de leituras, entrevistas com artistas e participação em
aulas, além de reflexões que produzem um panorama das mini partituras dos
movimentos do frevo, analisando a qualidade do que é dançado e como se dança.
Veja mais aqui.
O livro Tempos de folia: estudos sobre o carnaval no Recife (FUNDAJ/Massangana, 2018), organizado por Isabel Cristina Martins
Guillen e Augusto Neves Silva, reunindo textos e autores, a exemplo
de Debates historiográficos em torno do Carnaval do Recife, dos organizadores;
Carnaval do Recife: a alegria guerreira de Rita de Cássia Barbosa de Araújo, O
Carnaval regenerado do Recife: a consagração das elites modernas nos dias de
folia da década de 1910, de Lucas Victor Silva; O Estado, a festa e a cidade:
medidas de controle e ordem nos dias de Carnaval no Recife (1930-1945), de
Mário Ribeiro dos Santos; Viva o frevo original: o ideal é sorrir e ao passo da
Federação aderir, de Francisco Mateus Carvalho Vidal; O Carnaval tem seus
direitos, quem não pode com ele não se meta! Os maracatus-nação no Carnaval do
Recife no século XX, de Isabel Cristina Martins Guillen; Tristeza no reino da
alegria: enfrentamentos entre o Interclubes e o Rei Momo no Carnaval de chumbo
do Recife (1969-1972), de Diogo Barreto Melo; É na magia do samba que eu vou!
Os duelos de Estudantes e Gigantes no Carnaval do Recife, de Augusto Neves da
Silva; e Batalhas para além de confetes e serpentinas. A espetacularização no
Carnaval pernambucano e nos maracatus-nação, de Ivaldo Marciano de França Lima.
Veja mais aqui.
O livro Movimento
de cultura popular: impactos na sociedade pernambucana (Liceu,2010), da
professora doutora em Educação Popular, Letícia
Rameh Barbosa, é oriundo da
tese de doutoramento defendida na Universidade Federal da Paraíba, em 2007, e
está estruturado com abordagens sobre o contexto histórico-cultural, os
conceitos essenciais para se conhecer o Movimento de Cultura Popular (MCP), a
influência nos vários setores da sociedade recifense, a educação com Paulo
Freire, os conflitos e declínio, e as contribuições do MCP como movimento
social. Veja mais aqui.
O livro Carnaval:
textos, imagens & sons (Recife, 2011), organizado por Mário Souto
Maior, Fernando Spencer e Renato Phaelante, reúne os estudos bibliográficos, a
filmografia e a discografia do carnaval pernambucano. Veja mais aqui e o livro
em PDF aqui.
O livro Carnavais, malandros e heróis: Para uma
sociologia do dilema brasileiro (Zahar, 1983), do antropólogo e sociólogo Roberto DaMatta, é um estudo antropológico questionando o O que torna a sociedade
brasileira diferente e única, respondendo a questão através de uma ida ao cerne
do dilema que faz do Brasil um país de grandes desigualdades, mas de futuro
promissor. Para o autor, tanto o carnaval quanto seus malandros e heróis são
criações sociais que refletem os problemas e dilemas básicos da sociedade que
os concebeu, considerando que mito e rito são, assim, dramatizações ou maneiras
de chamar a atenção para certos aspectos da realidade social dissimulados pelas
rotinas e complicações do cotidiano. Os ensaios da obra são o resultado de uma
visão inovadora e um esforço definitivo para o entendimento do Brasil. Veja
mais aqui.
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