domingo, 8 de fevereiro de 2026

O FREVO EM PESQUISA: FOLIA & CARNAVAL

 

 

O Frevo é um gênero musical e de dança que é Patrimônio Imaterial do Brasil (IPHAN, 2007) e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade (Unesco, 2012). É uma expressão artística que surgiu no Recife, Pernambuco, no final do século 19, fruto da rivalidade entre blocos de capoeiristas e bandas militares, e oriundo de um estilo instrumental com orquestras de metais e fanfarras, misturando marcha, maxixe e capoeira, razão pela qual é caracterizado meio de passos acelerados, saltos e uso de sombrinhas pequenas coloridas. O seu nome deriva de uma corruptela do verbo “ferver”, simbolizando calor, agitação e o fervilhar das ruas. A dança é complexa com mais de 100 passos conhecidos, incluindo entre eles tesoura, mola, dobradiça, parafuso e a base de calcanhar. A música é executada como Frevo de Rua, modelo instrumental, frenético e próprio para dançar passinho; Frevo de Bloco, acompanhado de cantor e orquestra de pau e corda, com tom nostálgico; e Frevo-canção, mais lento com introdução e letra. Por seu expressivo valor artístico, apresento abaixo algumas referências para pesquisa.

 


O livro Frevo: a choreological performance (Richard Veiga, 2017), da jornalista, historiadora, pesquisadora e professora Maria Goretti Rocha de Oliveira, trata sobre a música e a dança por meio de uma pesquisa realizada no Departamento de Estudos da Dança da Escola de Artes Cênicas da Universidade de Surrey, na Inglaterra, e defendida em 2002, observando os movimentos do frevo, analisando a qualidade do que é dançado e como se dança, a partir dos métodos utilizados pelo "Frevo no Pé", criado por Nascimento do Passo e a prática de bailarinos e passistas como Flaira Ferro, Ângelo Madureira, Jaflis do Nascimento, entre outros. O livro é divido em duas partes, na primeira com cinco capítulos, busca decifrar os códigos e convenções coreográficas do passo. Na segunda parte com quatro capítulos, discute sobre improvisação, elencando um dicionário de movimentos do frevo-dança e também Manejos de sombrinha e passagem. Veja mais aqui e aqui.

 


O livro Danças populares como espetáculo público no Recife de 1970 a 1988 (Fundarpe/SEC, 1993), da historiadora e pesquisadora doutora em Dança pela University of Surrey, Maria Goretti Rocha de Oliveira, oriundo da sua dissertação de mestrado em história (UFPE, 1991) defendida sob a orientação do professor Marcus Joaquim Maciel de Carvalho, trata sobre os espetáculos de danças populares por meio da pesquisa realizada, através de leituras, entrevistas com artistas e participação em aulas, além de reflexões que produzem um panorama das mini partituras dos movimentos do frevo, analisando a qualidade do que é dançado e como se dança. Veja mais aqui.

 


O livro Tempos de folia: estudos sobre o carnaval no Recife (FUNDAJ/Massangana, 2018), organizado por Isabel Cristina Martins Guillen e Augusto Neves Silva, reunindo textos e autores, a exemplo de Debates historiográficos em torno do Carnaval do Recife, dos organizadores; Carnaval do Recife: a alegria guerreira de Rita de Cássia Barbosa de Araújo, O Carnaval regenerado do Recife: a consagração das elites modernas nos dias de folia da década de 1910, de Lucas Victor Silva; O Estado, a festa e a cidade: medidas de controle e ordem nos dias de Carnaval no Recife (1930-1945), de Mário Ribeiro dos Santos; Viva o frevo original: o ideal é sorrir e ao passo da Federação aderir, de Francisco Mateus Carvalho Vidal; O Carnaval tem seus direitos, quem não pode com ele não se meta! Os maracatus-nação no Carnaval do Recife no século XX, de Isabel Cristina Martins Guillen; Tristeza no reino da alegria: enfrentamentos entre o Interclubes e o Rei Momo no Carnaval de chumbo do Recife (1969-1972), de Diogo Barreto Melo; É na magia do samba que eu vou! Os duelos de Estudantes e Gigantes no Carnaval do Recife, de Augusto Neves da Silva; e Batalhas para além de confetes e serpentinas. A espetacularização no Carnaval pernambucano e nos maracatus-nação, de Ivaldo Marciano de França Lima. Veja mais aqui.

 


O livro Movimento de cultura popular: impactos na sociedade pernambucana (Liceu,2010), da professora doutora em Educação Popular, Letícia Rameh Barbosa, é oriundo da tese de doutoramento defendida na Universidade Federal da Paraíba, em 2007, e está estruturado com abordagens sobre o contexto histórico-cultural, os conceitos essenciais para se conhecer o Movimento de Cultura Popular (MCP), a influência nos vários setores da sociedade recifense, a educação com Paulo Freire, os conflitos e declínio, e as contribuições do MCP como movimento social. Veja mais aqui.

 


O livro Carnaval: textos, imagens & sons (Recife, 2011), organizado por Mário Souto Maior, Fernando Spencer e Renato Phaelante, reúne os estudos bibliográficos, a filmografia e a discografia do carnaval pernambucano. Veja mais aqui e o livro em PDF aqui.

 


O livro Carnavais, malandros e heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro (Zahar, 1983), do antropólogo e sociólogo Roberto DaMatta, é um estudo antropológico questionando o O que torna a sociedade brasileira diferente e única, respondendo a questão através de uma ida ao cerne do dilema que faz do Brasil um país de grandes desigualdades, mas de futuro promissor. Para o autor, tanto o carnaval quanto seus malandros e heróis são criações sociais que refletem os problemas e dilemas básicos da sociedade que os concebeu, considerando que mito e rito são, assim, dramatizações ou maneiras de chamar a atenção para certos aspectos da realidade social dissimulados pelas rotinas e complicações do cotidiano. Os ensaios da obra são o resultado de uma visão inovadora e um esforço definitivo para o entendimento do Brasil. Veja mais aqui.

 

Veja mais sobre o tema aqui & aqui.